26/07/2010

"bebe o mar, Xantós!"


miss_you____by_gutku

tanto tempo a fugir para a beira de água. fugir como para braços de mãe. quentes.

brincar com pedras conchas mas sem gente. ouvir as ondas. furá-las e voltar

para terra firme. o mar é tão profundo como o céu deve ser. não me aventuro a mais que rios

eu sou de ver. não de engolir o mar. "bebe o mar, Xantós!" vem-me à cabeça o teu grito na fala de Esopo

a tua voz de homem de Liberdade e de coragem. separado pelo rio. na outra margem

separado de mim que tanto te amo agora como dantes. calo. a lágrima foge...


hoje, como tu nessa altura, tenho a garganta fechada ainda ao grito por dar. seca. calada

só à espera da hora. a hora certa do cansaço chegar a fazer subir a raiva à boca

até ao grito que me mate mas sacuda esse bando baço prepotente medíocre

do qual um povo morre de medo outra vez (o desemprego, o patrão, a fome)


brinco com pedras conchas ondas sons maresias gaivotas (mas até essas gritam com as marés)

e como a minha sobe!

quando o grito chegar será o grande inesquecível e final espectáculo

haverá alguém que me escute. que me siga. que me ignore ou dispare

mas nunca que me dome!




a ti.

7 comentários:

della-porther disse...

Paperlife

há poucos lugares em que sinto-me abrigada. aqui é um lugar assim. as palavras me cercam, a água me molha, a canção me transporta para o fundo...o fundo do meu pensar. palavras simples que despretenciosamente livre deixas aqui assim, para abrigar.

um beijo com carinho
della-porther

gabriela r martins disse...

torno.me repetitiva ,mas é imperioso dizê.lo .a escolha das palavras é perfeita .o ritmo divino!

um beijo ,quemadre!

bettips disse...

Haverá alguém que te afague, sem domar. Mesmo num abraço entrelaçador. Que entendes. Bj

Era uma vez um Girassol disse...

Tu entendes...
Eu entendo...
tantos entendemos...
Então porque calamos, engulimos a raiva e não soltamos o grito.
Como se não me bastasse a incerteza, agora a dúvida...
Não achas demais?
Beijinhos...
Que sei que entendes.

Anónimo disse...

este foi um grito à beira-mar, mas que vibrou dentro de mim.
Vou continuar a navegar nas águas deste teu "rio".
Carla

Betty Branco Martins disse...

Querida Madalena





_______________s�o m�gicas







as______________tuas






_______________�guas___...







beijO c/ carinhO

paper-life disse...

Girassol, o grito sai quando acaba o medo ou o cansaço vence por tanta frustração. Já faltou mais. O ser humano é lento, pondera demais às vezes. E afinal a vida é tão curta que a única coisa verdadeiramente importante é vivê-la com a garra de quem sabe que morre.

Obrigada a todos por insistirem em aparecer por aqui.

Bjs. :)