14/07/2008

espero

Ed Gordon Photography



espera

na espera ganham-se defesas

prazeres novos


aguçam-se desejos

esperei-te

tanto parecias pedir que te esperasse


quando vinhas a água sabia a sumo de uva pura


coisa de deuses gregos

e de santos




foi na espera que mais te conheci


traço a traço de ti refiz na memória quem tu és



olhos de águia gigante. fingindo não o ser

boca a arder em fogo e cerrados os lábios


na mansidão da voz desenganos contidos


de senhor de destinos


que não pode. não se permite soçobrar



esperei-te e a cada dia conheci-te


como nem eu sabia ser capaz




faço agora da espera a minha forma de dizer

amor

como outros criam ódio e alguns tentam a paz


4 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

magnifica forma de esperar....




:


beijo.

poetaeusou . . . disse...

*
espera sublime . . .
,
esperadas conchinhas,
,
*

Madalena Pestana disse...

Obrigada a ambos. Lamento se ainda não faço visitas mas, até à operação, gasto os meus 20% de visão no trabalho. Fui aconselhada (obrigada) a não abusar para lá disso.

Mas isto vai ter fim, espero que bom, logo que a médica regressar de férias (não deu para esperar pelas promessas de Sócrates...)

Bjs

Iveta disse...

belissimo!
a sensibilidade...
a ternura...
a forma... (suspiro)
Gosto muito da sua forma de escrever.
Bj