02/01/2008

chove e é bom.

image by Yury S

cresce o alívio em mim. durmo na terra. confundo-me com ela. sinto-lhe o bafo frio de inverno mas quente de mãe. sei que me dá todo o calor que pode. a terra tem sempre algum calor para dar.

avanço no silêncio da noite e caio num sono sem pesadelos já. respirei fora. só me faltava isso. respirei fora o veneno que havia no fungo venenoso servido, com requintes, ao jantar.

"quem não sabe florestas não deve oferecer fungos". um último bocejo e o sono vence.

súbito a temperatura sobe. são quatro da manhã. a chuva cai como um rio em cascata e eu faço amor como quem reza ou chora de alegria.


image Lutz Behnke

numa partilha com o cosmos que me deu a água abençoada, ofereço-lhe o prazer e a energia do amor redondo, circular, de um corpo para outro e de ambos para deus.

é uma oferenda boa. é o milagre de saber estar vivo e pouco importa se estou a sonhar.

8 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
vive os sonhos,
e desaguas no infinito,
,
bji.
*

della-porther disse...

Que chuva maravilhosa!

Deixo um beijo nas águas do rio, de energia tão fértil.

Beijos a você amiga

della-porther

Presença disse...

Partilha de sonhos... de vida... reviver de novo


bjo doce

gabriela r martins disse...

o delicioso dilúvio

do bem escrever

em princípio de ano

novo

onde o novo

se constata

apenas

no ano

.

a escrita essa flui em direcção ao infinito ... mar


_______________


grata pelo teu regresso .em beleza! ( sabes como gosto de te ler ... sempre )

Anónimo disse...

belo...o milagre da vida
belo...o milagre destas palavras
Carla

Luis Duverge disse...

Fui buscar a chuva bem longe daqui, trouxe-a com o vento ...mas como tudo na vida é uma passagem. Ela (a chuva)prometeu não se demorar, ficou, molhou, marcou e
agora regressa, deixando o frio gelado das manhãs por companhia.
Voltei lá bem longe daqui, num fim de semana de ir e voltar onde só no ar conseguimos alcançar, o frio mais frio, as flores de encantar e os canais onde os teus rios fazem sonhar e desejar:
Bom ano de 2008.

batista disse...

cada palavra, gotas d'água, lembrança do rio, teu rio, tão diferente de todos os outros rios... mas as gotas (d'água), iguais na estrutura (molecular)... como pode?!... não, não são iguais, os rios, os versos, a prosa... mas as palavras o são... ou não?!... sendo o humano vocabulário, limitado, exprimir tanto, em tão poucas palavras?!

deixo o meu abraço fraterno (parece pouco, né?).

Artur Moura Queirós disse...

Um hino ao cultivar da capacidade de sentir e porque o sonho faz parte da realidade, resta a esperança que faça parte da realidade de cada um...:)