20/10/2008

a coroa fóssil

The guardian of the crown

escondi-me. com silêncios de ave. tanto tempo

já nem corria rios. ouvia-os só. ali ficava. parada. como o medo

esperava a palavra. (outros esperam o pão)

contemplava a jóia. a única que queria vislumbrar

havia uma árvore. recordo. conhecia-me bem e ao meu olhar___ te

não cansei. não me canso se acredito o que sinto


a árvore. essa sim. envelheceu primeiro e a dizer-me: - vai. não vale a pena

certo só tens a morte. vive a vida.





hoje a árvore é um tronco. azul. a destacar-se de outras árvores

caídas no caminho dos rios imparáveis

onde estará a coroa que criei para ti e não quiseste usar?

não sei. nem porque perguntei. fossilizou talvez

é tempo de seguir. de voltar a nadar




fotos de madalena pestana

4 comentários:

bruno mateo disse...

Sabes que me pareceu ver... na árvore morta/azul... ramos tenros/verdes?
Será também da minha vista?
Ai as cataratas... dos rios!
Beijo.

pin gente disse...

entrega teu corpo ao rio cujas águas seguem a caminho de uma foz.
nada ao sabor da sua corrente. não contra ela.
se o cansaço te tocar a pele deixa-o nadar a teu lado. não vencer-te. pára! flutua ao sabor do vento que as águas empurra. continua. o tempo não te espera. só quando atingires a foz saberás se o fizeste com atraso.



um beijo
luísa

claras manhãs disse...

Era lindo que tivesse criado raízes....

mas criamos nós, enquanto cá estamos, mesmo desiludidos, mesmo amargurados.

beijinho

Madalena disse...

Beijos, Amigos. Oiço o que todos dizem/escrevem com a maior atenção e carinho e... aprendo. Sempre.

Bom resto de semana. :)