02/12/2008

"bife da vazia"

by Jordi AC


já corre livremente a água pelas encostas.

os animais saem dos abrigos ao primeiro raio de sol. o pão não vem com a chuva. cresce dela.


também é essa a hora de predar. os mais fortes. ou não? os mais astutos. movem-se sorrateiros na esperança de fragilidades outras ou dos outros. são os carníveros. grandes senhores da vida ensanguentada de carne tenra. seja o bife da vazia mal passado ou a ave em voo titubeante que lhes caiu nas garras. num golpe de asa a nunca terminar.


a época da chuva é no entanto boa. lava. lava a mente de se saber tudo isto e disto nos atormentar o sono e embaciar o olhar.


há quem lhes escape. ao abrigo dela. há quem saiba escorregar devagarinho pelas ladeiras de lama ou neve até se afastar. de vez. das enormes bocarras. sempre abertas. prontas a devorar.


só não há água que lave os cantos ensanguentados da boca dos carníveros. o sangue congelou ao escorregar dos beiços salivantes de gula. e mancha de sangue sempre foi uma nódoa difícil de tirar.


5 comentários:

Justine disse...

"Eles comem tudo e não deixam nada..."
A mancha de sangue nunca sai...nem nos vampiros.
Metáforas aceradas, as tuas!

gabriela rocha martins disse...

a lei da selva

à qual é necessário sobreviver

SEMPRE


.
um beijo

Teresa Durães disse...

há sempre predadores e presas...

Teresa Durães disse...

p.s gosto do bife da vazia :P

Madalena disse...

Minhas queridas amigas, apesar do texto ter (valha o que valha) uma direcção para o país que sinto, a do "bife da vazia" é mesmo direccionada, daí as aspas no título. O seu a seu dono (lol).

Isto é particularmente para a Teresa, também gosto de bife da vazia mas o tornedó é o meu favorito em carne de vaca (de que gosto pouco, confesso).

Beijos.

Tenho estado com o antivírus desactualizado daí a maior ausência. Ontem já o comprei. Hoje vou instalá-lo e se o peso do meu silêncio aliviar, passo a falar nas vossas casas. :)