08/12/2008

vestidos a verde

image by Jacek Lidwin


cubro-me a verde. não de esperança _______ não espero

já é outro o sentir

mostro as rugas à terra _______ olhos nos olhos

confiança de filha na mãe única. de braços sempre abertos

de colo sempre ali



é uma espera longa. a de partir. e eu já não sei ficar


nada me prende


penso - ainda amo. e entristeço. de nada já isso me irá servir

cubro-me a verde _______ erva que o inverno permite sobre a lama

sem cantos de ave. um silêncio nocturno

e faço amor sonhando. como tantos

o outro corpo? nunca o encontrarei pele contra pele

talvez assim _______ na Terra. todo a verde coberto

talvez assim _______ num dia por haver

9 comentários:

Justine disse...

Metáfora da morte? Se o é, é de uma beleza exaltante e quase redentora.
(mas não tenho a certeza se li bem - o poema é sempre um labirinto...)

Lmatta disse...

Gostei do texto a foto é linda
beijos

claras manhãs disse...

Lúcido em demasia
este 'demasia' não é defeito, é dor.
olhar bem a vida de frente e pegá-la de cara e de olhos bem abertos.
Doi que se farta

beijinho

£oµ¢o Ðe £Î§ßoa disse...

A Terra é mãe, a Terra é retorno...

Até outro instante

____________________________
Delicio-me com textos assim, sofridos, e que mostram o quanto sabe bem viver.

della-porther disse...

para além de uma imagem soberba o texto me encantou.

um grande beijo

della

Teresa Durães disse...

mesmo que não se espere o mergulho no verde é tão bom!

Madalena disse...

Obrigada a todos.

A "barra anda pesada" mas lá se vai conseguindo carregar. Coisas de geração antiga...

:)

Beijos

Mateso disse...

A Terra solísticio da vida.
Para mim o mais belo de todos.
Aproveito e desejo um Feliz Natal num beijo doce.

Madalena disse...

Obrigada Mateso.

Um beijo para ti e um Bom Ano! :)