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09/08/2009

Raul Solnado faz o favor de por Deus a rir. Tu és capaz!

Primeiro o lamento de quem fica muito mais pobre por perder-te.

Hoje e para sempre a coroação, com flores simples, iguais à amizade do povo simples que amaste e que te Ama.

Obrigada Raul Solnado e... até já!
A gente ainda se vai rir com a Graça que Deus tem.

RIP.

A crown for an Actor - by MagdaMontemor
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sorrow_by_MagdaMontemor

30/03/2009

o último sorriso

"fragmento" foto de Marco Bragança


em meio ao deserto da vida de agora

quebrada. perdida. pedaço de mim

não espero. não busco os restos que tive

e me davam forma - concha de criança segurar na mão

como coisa boa para guardar de noite. baixo à almofada

a escutar o mar até vir o sono -


não me quero inteira. a inteireza dói e eu cansei de dor.


prefiro-me assim. fragmento informe. bocado de nada

que o vento e as marés tornarão areia de tanto o rolar.


depois sim. depois serei mais um grão que ninguém verá.

Cristo voltará a este deserto e eu, serei do chão que ele pisará

e quem sabe então. pela última vez, num instante breve, sorrirei

feliz!


05/01/2009

senhor "Deus dos Exércitos"

image at mjbryan.com


filhos de Abraão _ Isaque e Ismael


"Pesquisadores fizeram um estudo de DNA e comprovaram que judeus e árabes são parentes próximos, como diz a Bíblia. A descoberta significa que todos são originários de uma mesma comunidade ancestral, que viveu no Oriente Médio há 4.000 anos. Isso significa que a genética comprovou o parentesco bem próximo, maior que o existente entre judeus e a maioria das outras populações.


Segundo eles, quatro milênios representam apenas 200 gerações. Esse tempo seria muito curto para mudanças genéticas significativas. Os cientistas envolvidos no estudo também perceberam que, apesar da longa diáspora, as populações judaicas mantiveram intacta a identidade biológica. Eles afirmam que o resultado não apenas está de acordo com a tradição bíblica, como refutam a tese de que as comunidades judaicas atuais consistem principalmente de descendentes de convertidos de outras crenças."


Pois. Há lá pior que guerras fraticidas?


Há. Há simplesmente a Guerra - uma intenção eterna do homem. sobre a Terra.


10/11/2008

terra toda

Storm-Oil On Canvas By Nicoleta Bida


a tempestade há. tem aroma tem cor. vibrações invisíveis

ondulações violentas de ar. azuis-negro no queixume das aves

que se afastam da costa ou da montanha. que se afastam porque

têm outras penas a poupar. sem ter de voar as penas da tempestade

que sentem longe. longe ainda. no odor. porque também vem no vento

o aroma a lágrimas sem sal. pairando. acumulando-se antes de desabarem

em aguaceiro convulsivo. como o choro gigante de um deus muito distante


distante e a aves sabem-no. nós é que não. nós é que esquecemos

que toda a natureza é a mesma matéria cuspida pela mesma boca

no dia da grande explosão. da grande fúria quente desse deus



e se houver uma inspiração. fria. longa. imensa. devorante

que nos sugue para o centro de um infinito bocejo. ao contrário

e deus virar as costas à terra toda. por cansaço de nós?

12/10/2008

segue-me no outono

follow me through the autumn



piso outonos. sonoros. resmalhantes


todas as folhas de papel já escritas amarelaram. como a minha pele

enrugaram

ao sol de muitos verões quentes de vida alucinante. alucinada


alucino________ a verdade de sorver cada gota restante


vida________ a minha. única. irrepetível


gotas. as do suor de estar atento a cada som. a cada asa vibrante


do vento________ onde te encontro. te repetes


autumn over a trunk of a rubber tree



meu tronco. minha força. meu segredo


minha esperança maior que deus quando chegar o medo


"Pai. porque me abandonaste?" - disse um Homem a um deus morto


entendo. mas família só sei de chamar Mãe, à Terra


e do teu último-recente olhar. que vi. silencioso. absorto


fixo em mim. meu amor. outono da minha ressurreição

antes do pó.


fotos de Madalena Pestana

02/01/2008

chove e é bom.

image by Yury S

cresce o alívio em mim. durmo na terra. confundo-me com ela. sinto-lhe o bafo frio de inverno mas quente de mãe. sei que me dá todo o calor que pode. a terra tem sempre algum calor para dar.

avanço no silêncio da noite e caio num sono sem pesadelos já. respirei fora. só me faltava isso. respirei fora o veneno que havia no fungo venenoso servido, com requintes, ao jantar.

"quem não sabe florestas não deve oferecer fungos". um último bocejo e o sono vence.

súbito a temperatura sobe. são quatro da manhã. a chuva cai como um rio em cascata e eu faço amor como quem reza ou chora de alegria.


image Lutz Behnke

numa partilha com o cosmos que me deu a água abençoada, ofereço-lhe o prazer e a energia do amor redondo, circular, de um corpo para outro e de ambos para deus.

é uma oferenda boa. é o milagre de saber estar vivo e pouco importa se estou a sonhar.

29/10/2007

adiante


Water_by_TheEveningStarLenore

embravecida a água salpica-me o rosto quente ainda de raivas que passaram pelos vasos sanguíneos a regar-me o cérebro. que bom!

que boa a água! que bom libertar raivas que marcaram por anos, o dia a dia que eu queria de paz! que bom distanciar-me agora disso tudo como nos separamos de tralha velha, a atrair traça no sótão lá de casa. tanto espaço nos sobra! era urgente fazê-lo mas teve de ficar sempre para amanhã.

teve de ser. não por feitio meu.

agora? agora o rio da vida corre quase como dantes. quase. que as águas nunca se movem para trás e ainda bem.


image by Ramūnas Danisevičius

salto do rio para o mar. voo de ave-gigante. com o corpo para a frente. liberta do passado. o futuro é adiante.

há deus ou há justiça! o nome tanto faz.

10/07/2007

as lágrimas

image by paul bedwe


lágrimas nunca soltas alagaram as margens. desaguaram no mar. a alargá-lo. pescadores naufragam em lágrimas de amor.

tinham de ser de amor as lágrimas presas nos olhos queimados. ressequidos. terra árida.

só o amor tem esse poder naquilo que fui-sou. o amor, não a palavra. impeço-me a palavra. lavo-me dela se insistem em dizer-ma. palavra gasta como lençol alheio. não me deito. não durmo em sonhos de outros.

disse-te - meu amor! e morri. a palavra amor morreu do mesmo jeito. ali. assassinada pela verdade de um sentir inigualável por mais anos que a Terra dure e o Homem sobreviva nela.

não é toda a verdade. a palavra morreu no puro instante em que a sussuraste pela primeira vez e acreditei. para sempre. acreditei como os santos acreditam em deus.

santificaste-me em amor.



image by Daniela Nikolova

o meu fantasma desce e sobe rios. diferentes todos. aguarda que o libertem do corpo. esqueceram-se do corpo. como pode isso ser? mas é.

e assim, tu alma eu corpo vamos fazendo a liquidez dos dias. até que numa hora. a certa hora desaguemos num infinito mar. mar dos amantes. o mar do reencontro. o mar de toda a vida por haver.