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26/11/2008

dito de costas para ti


now_i_see by Frank Grisdale



viro-me e oiço o vento

não sei nada de mim para além disto - viro costas ao vento!

e é nesse acto que me reinvento para re-existir

eu que morri para tantos. que lhes perdi a conta. ou o conto?

conto não de fadas. de demónios

quem os irá salvar?

encrontrarão sinónimos de si para iludir anónimos ouvintes

sim. sempre haverá


a sorte não nasce com a justiça

fabrica-se pela astúcia de uma mentira lúcida

até parecer___________verdade


05/08/2008

agora que estão todos na praia da Rocha, que a Caparica já passou de moda, conto anedotas.

image at Fotosearch.


ora. fumava-bebia-sorvia-saboreva o socrático cigarro. legal. bem merecido. ao ar livre. (isso pensava eu. essa. do ar ser livre...) quando, ao abrir os olhos, tive a sensação de me terem ganzado o ritz do costume.

- será que os passadores de droga inventaram uma nova para por o pessoal a começar a consumir? - pensei. fechei e abri de novo os olhos. ná. aquilo não era alucinação. aquilo ainda estava lá. aquilo tinha pernas. aquilo era quadrado. encarnado e preto e tinha pernas. aquilo escurecia o sol. aquilo era inestético até para o fumo de um cigarro. aquilo, sobretudo existia ainda no meu campo de visão. visão turvada. muito mais para quem visse aquilo.


Red and Black by AristiEstes


olhámos todos (os fumantes da hora). aquilo podia até derramar-se e poluir o Tejo. é que a mancha quadrada crescia. não se sabia o que crescia mais. o encarnado? o preto? que maré nos viria se aquilo chegasse até às gaivotas do rio?

por fim o alívio. o quadrado com pernas desapareceu por uma porta onde cabia (mal). o sol rebrilhou. reaqueceu. o Tejo respirou de alívio. as gaivotas entoaram hinos como se fossem melros.

eu? eu acendi outro cigarro (à revelia de sócrates e do patrão) para acordar do pesadelo. para esquecer. mais uma vez. aquilo.

19/07/2008

Intervalo

Strategy of the spider or just a blind grub ?

foto de madalena pestana

Estratégia da aranha ou só uma larva cega?

II - The spider knew how to attract naive insects for an attractive and round flower  ...

foto de madalena pestana


a aranha sabia como atrair insectos ingénuos para uma casa redonda e apetecível...


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o fim da história?


- ainda está por contar.





Paroedura stumpffi eating spider at bluechameleon.org


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fim do intervalo




05/11/2007

neologismos ou é só educação!



photo by Darlyne A. Murawski


dê lá por onde der (falta de imaginação ou de fortuna) a gente passa a maior parte do tempo útil de vida, onde trabalha. os que nunca pagaram nem pagarão impostos trataram de alongar-nos isso mais. não faz mal. até gosto do onde estou e de alguma da gente que há por lá. afinal já lá vão vinte anos de convivência, nalguns casos de amizade real.

mas isto vem a quê?

vem de um neologismo que aprendi outro dia à saída da consulta da médica (sim, que nós temos essa excelente coisa de não sermos obrigados a ir ao centro de saúde por consulta - ganhamos nós e os patrões, é óbvio).

é certo que na casa se praticam os aumentos tipo função pública, isso eu sabia já. o que ainda não sabia e, constatei, é que quem avaliava a necessidade ou não daquela medicida (que não é a de trabalho) era um técnico alheio à área da saúde. técnico cuja formação eu desconheço. mas lá que é técnico é. e pronto, a vida é assim mesmo. com jeito toda a gente sobe menos eu. não tenho jeito para essas coisas de subir.

já me alonguei demais. é assim em todo o lado. cada um tem o país que permitiu.

o que aprendi foi o verbo melgar.

no fim de várias consultas. a última foi a minha, sai um génio do seu gabinete e interpela a doutora:

"temos de conversar!" assim, sem mais aquelas, qual patrão a ameaçar processo.

os outros colegas a escutar e... eu. é só educação!

que não podia ser, demorar tanto tempo a atender "quem vem para aqui melgar" (sic) "ou se está doente precisa de ir a outro lado" (sic). e outros mimos de polidez e de responsabilidade.

a médica ainda balbuciou se deveria usar uma ampulheta para contar o tempo e despachar pessoal.

ele nem a ouviu. a bilis tinha-lhe subido à verve e melgou a senhora até se cansar.

se ali houvesse alguém cheio de saúde e respeito por si, adoecia só de o ouvir.
mas se a melga era eu, estive tão à beira da ferroada, que só a paciência que a idade me deu e, sobretudo ele estar fora do campo de visão, me impediram de lhe espetar o ferrão na língua mesmo.

deram-me as receitas carimbadas e voltei ao trabalho, mas a pensar.

- será que vamos imitar a função pública em tudo o que ela tem de pior e pôr a conduzir a arte de curar, gente que tudo o que sabe é usar calão e obedecer a his master's voice?

só os próximos capítulos o dirão.

mas pelo sim pelo não quando voltar à médica, levo o dum-dum, o tal que mata que se farta, porque para zumbidos daqueles o Raid casa e plantas já é completamente ineficaz.

image from nyholt

ou o ainda de melhor efeito - zaz!

20/10/2007

animais de águas turvas

na rua havia sol. o café tinha de ser lá fora ela não o tomava e no quase vazio da casa não o vi. aliás prefiro bica.
fui ao café da esquina. falei dela. que não a têm visto. a senhora daqui só leva sumos e água das pedras, bolos só muito raramente - o dono - diz que o açucar ás vezes lhe faz falta e depois a enjoa - e lá se foi a atender cliente. pego à toa mais uma folha de caderno quadriculado A4. tanto se me dá a ordem dos dias desornedados que viveu. quero é ler.



no Verão há quase sempre um pouco mais de paz. pelo menos até hoje. com a filharada toda, os meus os teus e os nossos, a entrar e a sair na alegria da quinta ou nas idas para a praia, sem aquele casarão a promover distãncias, ele deixa o álcool-depressão e, nada sóis.

com a mãe ausente e a não poder augurar futuros abaixo de sinistros e os filhos a dormir o sono justo da correria à solta, sentados em volta da lareira apagada, claro, mas mesmo assim ainda aconchegante, surge o inesperado da boca do meu homem:
- hoje tive um convite mais que estranho, já lhe disse?
- não.
não fiz perguntas. com ele bastava sempre só esperar. não nos mentíamos. amantes, embriaguez, de tudo ele acabaria (e acabou) sempre por me falar. era o seu jeito de ser casado comigo.
- estava eu no emprego quando a sua irmã me ligou a propor um almoço em casa dela. fiquei quase de cócoras de pasmo, pois se aos dois juntos ela nunca convida... porquê agora consigo aqui na quinta?
que era para eu não me sentir sozinho apressou-se a dizer. não fosse ela um carro de assalto, como você lhe chama e eu pensaria que me queria...
- engatar? e porque não? você é meu, é célebre e tem nome sonante. além de ser um espanto de homem, mas isso não sei se cabe na avaliação dela. porque não?
- bem, ela é sua irmã...
- pois. cada um nasce com o seu calvário. oiça amor , ela é bicho que caça em águas pantanosas e nem que eu desgastasse a mente e espremesse as meninges até as rebentar a conseguiria entender mais do que já disse. deu-lhe corda quando ia lá a casa agora...

- que é que quer ela fazia-me rir e ... é sua irmã.

- também o Abel e Caim eram...

não pensei mais naquilo até lhe encontrar o caderno onde isto ficou escrito "por causa dos outros também"*. tínhamos muito amor à nossa espera durante o sono doce das crianças.
mais tarde apercebi-me dos riscos de menosprezar um animal de sangue frio. mas nunca é tarde demais senão depois da morte e mesmo assim, depois da morte, sei eu lá.



*José de Almada Negreiros

15/10/2007

e aos 60 anos "ressuscitou"?!


    image by madalena pestana

    e ressuscitou!

    como quem nasceu para modelo. modelo de tudo. até de photoshop, ressuscitou para mentir de novo. para me usar a vida como sua. para ter notoridade. ele há notoridade maior que ressurgir da morte?

    o que a move? não sei. se calhar ao tempo do pai "poeta louco" já havia pilhas duracel e ainda não acabaram. se calhar o não ter tido nunca vida própria a obrigue a viver a vida alheia. se calhar o só ter tido um filho por cesariana a faça querer ter adoptado os meus.

    desta não, avozinha! desta chega! comigo não fizeste caridade. eu não sou uma das velhinhas ou crianças, tanto dá, que tu ajudaste a atravessar a rua. quando não o queriam fazer.
    os meus filhos pari-os e criei-os sem pai e desde cedo. não queres que conte mais, pois não ó velha tonta?

    sim, os mini-mercados faliram. mas quem sustentava as tuas férias de quinze ou vinte "católicos progressistas" ?- o mini-mercado do teu pai "poeta louco".
    a pide insultou-te assim tanto, como visitante? curioso. a mim que lá estive dentro não o fez. devias ser mesmo muito perigosa para terem tido medo de te prender!

    só li fragmentos desta vigésima quinta ou sexta entrevista (que náusea! que ridículo! se a lesse toda acabava a vomitar)

    se os casapianos, que eu muito respeito, como o meu pai me ensinou por ter sido um deles. a que chamava irmãos e levava para jantar o que encontrasse onde quer que fosse, aceitam que os representes. se os meus filhos apatetados com tanta "glória" da tia, te batem palmas, que te aproveite!

    cada qual tem o ídolo que merece.
    mas lá teres criado os meus filhos, Catalina Pestana- ESSA NÃO!

    fico por aqui porque sou contra a pedofilia. é que eu pari filhos e isso liga-nos para sempre. para a vida. quer tu queiras ou não.

    não a ti. a quem se atreve a parir em lugar de abortar e entende o que é uma criança ao vê-la dar o primeiro grito.

    o meu grito e último aviso é: - cala-te e não te atrevas a falar mais de mim. não te conheço há muito tempo já. e tu sabes bem isso. e o porquê!

    e há porquês piores. que nem tu calculas que também já sei.

    10/10/2007

    por causa de uma notícia de jornal (ou será de uma foto?)


      image by Madalena Pestana


      olhando nessa direcção hoje sinto o que não é meu de sentir. de novo.

      tudo parecia já adormecido. nem falara dos corvos, vê lá tu. interrompi blog após blog quando o pensamento se virava para ti. fugi vezes sem conta de fazer o que era inevitável desde há anos: matar-te!

      deixei até de conduzir quando a tentação que tive ao ver-te uma vez num cruzamento, me fez carregar no acelerador. não tive dúvida aquilo nao tinha outro nome, era ódio. louco, desvairado, incontrolável já.

      não quis ser eu a mão. não quis ser eu a arma. e nem te dei o luxo de ser eu a voz. tu havias de fazê-lo por mim.

      quase morri da espera. nem gritar eu gritei. ninguém me ouviu. sobretudo não tu. a ti fui vigiando os passos, hora a hora mais previsíveis. oh, como eu te conheço!

      e ontem quando, já distraída, mal te sabia ainda a existir atiram-me o teu lixo para o colo. a náusea recrudesceu mas nem aí gritei.

      silêncio. o silêncio é uma arte que nunca cultivaste. desconheces-lhe o som. mas soa tanto e alto!

      mais alto que os verbos que conheces: vencer. exibir. espezinhar. bajular. os verbos com que se ganha a vida muita vez...

      mas hoje alguém gritou. um grito saudável que (sem que o saibas ainda) furou, com o som estridente, o balão que tu és. eu respirei. de alívio por não ter sido meu o grito contra ti. de alívio porque houve o grito. de alívio porque acabaste de morrer e vais continuar a arrastar a vida por aí convencida de que vives e não há salvação para o mundo sem ti.

      a deus.

      RIP.