image by Miru Kimdesempenhei mais papéis do que a memória comportava.
desci túneis que não conhecia. tropecei e caí vez após vez
no escuro. no escorregadio da água pouco clara
a noite que vivemos tinha tão pouco riso. doía-me o silêncio
mais que os joelhos rasgados nas quedas de não saber viver a personagem
que a cada dia tinha de mudar para acertar o passo ao teu jeito de ser.
depois paraste. tinha de ser assim. sabias tu e eu. a vida tem limites
como a pele
não podemos esticá-la a infinito sem risco de romper
partiste madrugada. assim fazias quando tinhas pressa de chegar
não levaste bagagem e nem disseste nada. quando eu visse. veria
para quê incomodar?
surgiram mais papéis para decorar depois que descansaste
alguns eu mal sabia interpretar. cansei demais. veio a vontade de seguir-te
não podia. havia os "nossos putos" por criar, homem das águas
e lá segui meio a crianças e traições até que uma mulher me fez morrer
estou , entre papéis, amor, tu sabes. e já nem os papéis sei arrumar
Estou sentado num dancing e tenho a mão. Ainda em volta de uma bebida de pressão de ar.*

ann-hamilton-much-paper
dispara essa bebida e corre a ajudar. afinal era o que estava combinado
se houvesse um outro lado onde poisar.
* Nuno de Bragança in a Noite e o Riso
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este post vai ter de servir como resposta ao desafio do Espreitador. não passo a ninguém porque sou contra-correntes.
