Mostrar mensagens com a etiqueta paz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta paz. Mostrar todas as mensagens

26/07/2010

Aleluia...

Foi-se um passado. Um passado passa? de facto?
Seja como for aleluia pelo presente. sem euforia, quebrado e frio o grito é : Hallelujah!


21/02/2009

o nada.

picture by Philippus


escrever é abrir uma porta para lado nenhum

quem escreve chega ao nada de si próprio

os que lêem ficam a saber os nadas escondidos

nas palavras


então para que escrever?

porque, para lá do mergulho no vazio

da palavra

abaixo. muito abaixo. corre um rio

by 1bluecanoe

silencioso e frio

e a alma. agora. água congelada. branca

esconde-se da história


e atinge-se o absoluto e ansiado


não fazer parte de nada

dos tempos ou do Tempo.

02/01/2009

jardim verdade




carrego uma história como pedra bíblica. calo-a. endureço para não lhe sucumbir

a história vem sempre, longe ou cedo, à tona da vida. não me cabe a mim decidir quando

não me cabe a mim decidir nada para além da minha forma de viver

condicionada ou não pelos deuses ou os astros, será minha a última palavra

- peso-drama o de ser livre. peso-pluma o de sentir a Liberdade -



WaterLilyPad at extension.iastate.edu.


jardim verdade o que nascerá dos meus lábios cerrados

- água e flores a iluminar dias chuvosos. como o de hoje é -

vale a pela calar. vivendo apenas. vale a pena Ser. calando. em paz.

26/12/2008

entre perú e sonhos

Tamera Bremer


terminou. cansaço é o que sinto. indizível.

dois dias a sorrir para esperança alheia. repartir alegria armazenada para a ocasião.

dois dias tão infindáveis quanto inevitáveis. mais os anteriores dias a fazer cansar destes, por antecipação.

Natal. não é o teu nascimento, Jesus de Nazaré, o que não me apetece celebrar. sabes que não. é todo o circo que se criou em volta.

saí à rua por uns minutos. os passeios estão pejados de lixo. despojos de banquetes absurdos a apodrecer na calçada. ostentação. até nas sobras.

olho os rostos que se cruzam comigo. os do costume. nenhum olhar tem mais brilho que ontem. nenhuma revolta ou angústia serenou por ter sido Natal. só as contas dos que não são ricos vão ser mais difíceis de gerir ao longo de Janeiro.

aonde foi cair o Amor que pregaste?

talvez numa travessa de porcelana entre bacalhau, perú, sonhos e outras tantas coisas comestíveis.

come-se o Amor que não se sabe dar.


cansei. hoje já sem visitas nem telefonemas posso voltar a ser quem sempre sou - uma vulgar maria madalena que só deseja Paz.

Natal de 1980

27/09/2008

poema zero

photo by Pascal Renoux

abre-se o dia


desperto com ele. não me abro


fico em mim. com as palavras


sin.co.padas



hoje o dia abre por ti


fico-me pelo silêncio


aceno uma flor


ao sol


penso-te ______________ pão paz e terra


respiro a manhã. sem ti


abre-se o dia



uma flor



que se desfolha


nas mãos ansiosas do tempo


e uma palavra. não escrita



poema zero




parto toda

toda a vi.da______________ ainda a meio

de saber


o que é real do que vivi


30/07/2008

o empurrão para o fim ____ e os Amigos.

image at photodelusions


quando me despenhei ___ julguei ter chegado a Hora

rolei encostas desfazendo a pele___ deixando lascas de músculo para trás

nas pedras da descida


quando me atiraram do penhasco


nem os braços estendidos____ dos amigos____nas margens

me permitia ver.


Ro-do-pio

ver-ti-gi-no-so!


cega a tudo que não fosse aquele rolar. esfacelante. encosta abaixo


image by trinchetto



ao deixar de pensar reergui a cabeça. mais à tona de água


não há descidas infinitas. não há inferno sem paz. por fim.


a planície acolheu-me e os braços dos amigos____ ramadas estendidas


nunca


tinham deixado de estar lá.


sei agora o sítio exacto aonde estão e quantos são.


árvores benditas


a impedir que voltem a fazer-me____transbordar.



25/07/2008

tempo perdido recuperado

photo by George Koutsilieris


repenso-te.

tenho andado meio afastada de ti. não porque queira. não porque não te sinta ou te sonhe. só porque há muita gente a querer tirar-me a paz. nada de novo. foi assim desde sempre. incomodo só por respirar.

perdi muito tempo a perguntar-me e a outros o porquê dessa sanha. se eu só queria viver sem interferir com a vida de ninguém. respostas? houve. e iam sempre dar ao mesmo: - a tua independência fere os inseguros.

- e eu com isso? - pensava e seguia caminho. era jovem e isso era-me fácil. hoje ainda é. o que passou a ser difícil foi dar a outra face. quando muito, ainda uso luva de renda na hora de retribuir. mas retribuo.

tanta hipocrizia, meu amor, tem assolado estes tempos que vivo! conseguirei manter a luva sem que ela se rasgue. se insistirem? duvido.


pronto. desabafei. ao diabo as criaturas do diabo! ao diabo o novo-riquismo cultural de gaiatos sem história e sem educação (onde a perderam? tinham!).


o que de facto me aborrece é o tempo que perdi a não pensar em ti.


mas vou contar-te.



by tinyfishy


ontem. a descabida hora e pensamento. as tuas asas passaram pelo meu cérebro. roçagaram quase com som de brocado em vez de seda. sorri. deixei o que estava a fazer. olhei para o lado. eras tu. foi um instante silencioso esse de me surgires assim. do nada. ri . não nos venceram.


confesso. mais uma vez me deixaram a sensação de só ter perdido um precioso tempo (todo o tempo se é pouco já, é precioso).


guardei a luva de renda na gaveta das fotografias que não quero ver e saí para a rua. sorria.


sorria-te.


são as asas dos que me amam ou eu amo que sempre me devolvem o voar.


bom fim de semana. sê feliz!



09/01/2008

abraço (te)

image Gordon Campbell

a massa de água do rio, branca do inverno limpo, segue o caminho da paz que para ele é chegar à foz sem mais tropeços que as pedras que há incontável tempo se acostumou a contornar ou sobrepor.

o rio corre. eu corro-me. percorro-me à beira rio. reencontro-me. tacteio-me. a ter a certeza de ser ainda verdade. de ser ainda eu. de o meu sangue não ter embranquecido na descida aos infernos da memória.

Ed Gordon Photography

sou quem sou. agradeço. há que agradecer sempre, seja ele a quem for, todas as graças. sobretudo as pequenas. as que os outros não vêem mas são as que nos nutrem dia a dia.

à beira água sei-me. sou aquele corpo. aquela voz. aquela idade. aquela pele que se vai esbranquiçando com o tempo até se assemelhar à cor clara do rio. na vontade incessante de nele se vir a confundir.

'Sunrise' by Jane Fulton Alt

sei-me de novo e por isso de novo te abro os braços, que ficarão vazios na direcção da corrente do rio. ninguém para eles correrá.

mas que o que foi passado me perdoe se for isto pecar, enquanto se chamar vida ao que desde há pouco, de novo sonho e sinto, não desisto de amar.