by L'occhio di elbaeumberto25/01/2009
26/12/2008
entre perú e sonhos
Tamera Bremerterminou. cansaço é o que sinto. indizível.
dois dias a sorrir para esperança alheia. repartir alegria armazenada para a ocasião.
dois dias tão infindáveis quanto inevitáveis. mais os anteriores dias a fazer cansar destes, por antecipação.
Natal. não é o teu nascimento, Jesus de Nazaré, o que não me apetece celebrar. sabes que não. é todo o circo que se criou em volta.
saí à rua por uns minutos. os passeios estão pejados de lixo. despojos de banquetes absurdos a apodrecer na calçada. ostentação. até nas sobras.
olho os rostos que se cruzam comigo. os do costume. nenhum olhar tem mais brilho que ontem. nenhuma revolta ou angústia serenou por ter sido Natal. só as contas dos que não são ricos vão ser mais difíceis de gerir ao longo de Janeiro.
aonde foi cair o Amor que pregaste?
talvez numa travessa de porcelana entre bacalhau, perú, sonhos e outras tantas coisas comestíveis.
come-se o Amor que não se sabe dar.
cansei. hoje já sem visitas nem telefonemas posso voltar a ser quem sempre sou - uma vulgar maria madalena que só deseja Paz.
Natal de 1980
25/12/2008
16/12/2008
hoje. rio solto.

depois da queda livre que hoje vivo vou precisar ecrever. seja isso o que for.
passe ou não de um juntar letras a ____ sentir.
12/12/2008
tu vibração de ar

image by timeismonye12 on flickr
mergulho em sombra
fumo um cigarro
expiro o nevoeiro
envolvo nele o rio
nada existe onde estou
nem céu nem sol
nada
o nada
o nada eu
surge um gato do escuro
brilha. brilha
olhou-me? não sei bem

image by alemdag on flickr
sei que uma chama
me atinge a liquidez gelada
fervo
mistura-se o vapor da fervura
ao nevoeiro. acresce-o
eu
cego ou quase
depois volto a olhar
do gato
só um miado doce vibra o ar
a garantir-me que ele esteve ali
02/12/2008
"bife da vazia"
já corre livremente a água pelas encostas.
os animais saem dos abrigos ao primeiro raio de sol. o pão não vem com a chuva. cresce dela.
também é essa a hora de predar. os mais fortes. ou não? os mais astutos. movem-se sorrateiros na esperança de fragilidades outras ou dos outros. são os carníveros. grandes senhores da vida ensanguentada de carne tenra. seja o bife da vazia mal passado ou a ave em voo titubeante que lhes caiu nas garras. num golpe de asa a nunca terminar.
a época da chuva é no entanto boa. lava. lava a mente de se saber tudo isto e disto nos atormentar o sono e embaciar o olhar.
há quem lhes escape. ao abrigo dela. há quem saiba escorregar devagarinho pelas ladeiras de lama ou neve até se afastar. de vez. das enormes bocarras. sempre abertas. prontas a devorar.
só não há água que lave os cantos ensanguentados da boca dos carníveros. o sangue congelou ao escorregar dos beiços salivantes de gula. e mancha de sangue sempre foi uma nódoa difícil de tirar.
27/10/2008
20/10/2008
bom dia
se não entendeste o que quis dizer até agora. olha a minha mão
o tempo gasta-se. a memória. essa é a chave de todos os segredos
21/09/2008
redemoínho
foto by Floriana Barbua ordem é do vosso livre arbítrio.




