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26/11/2008

dito de costas para ti


now_i_see by Frank Grisdale



viro-me e oiço o vento

não sei nada de mim para além disto - viro costas ao vento!

e é nesse acto que me reinvento para re-existir

eu que morri para tantos. que lhes perdi a conta. ou o conto?

conto não de fadas. de demónios

quem os irá salvar?

encrontrarão sinónimos de si para iludir anónimos ouvintes

sim. sempre haverá


a sorte não nasce com a justiça

fabrica-se pela astúcia de uma mentira lúcida

até parecer___________verdade


26/06/2008

Mar limpo. até de mim

photo by Valery

hoje

hoje mergulho de alegria. alívio. pasmo.

tudo era tão simples. e eu sem ver

as janelas estavam escancaradas. e eu sufocava


a Vida estava ali. ao lado. e eu não vivia


parada no tempo em que ao parir. perdi.

não foi bem ao parir. não. essa beleza não a dou a ninguém!

nem ao fazer das crias gente capaz e útil


não . não foi aí. não foi.


foi só ao distrair-me. por cansaço.

por não ver a serpente. sequiosa de ovos, ou louca de

poder sugar-lhes NOME e SANGUE.

quase prontos para a Vida que eles estavam....

a tal. a dura. a de todos os dias. meios-dias e noites.


ah! mas hoje mergulho em água limpa a sal

que se dane o passado!

quem não cresceu vai bem a tempo ainda


eu vou com as ondas. até ao fundo. até ao meu sangue


lá em cima sujo. caluniado

e aqui reciclado. para sempre.

pelo Mar.


20/10/2007

animais de águas turvas

na rua havia sol. o café tinha de ser lá fora ela não o tomava e no quase vazio da casa não o vi. aliás prefiro bica.
fui ao café da esquina. falei dela. que não a têm visto. a senhora daqui só leva sumos e água das pedras, bolos só muito raramente - o dono - diz que o açucar ás vezes lhe faz falta e depois a enjoa - e lá se foi a atender cliente. pego à toa mais uma folha de caderno quadriculado A4. tanto se me dá a ordem dos dias desornedados que viveu. quero é ler.



no Verão há quase sempre um pouco mais de paz. pelo menos até hoje. com a filharada toda, os meus os teus e os nossos, a entrar e a sair na alegria da quinta ou nas idas para a praia, sem aquele casarão a promover distãncias, ele deixa o álcool-depressão e, nada sóis.

com a mãe ausente e a não poder augurar futuros abaixo de sinistros e os filhos a dormir o sono justo da correria à solta, sentados em volta da lareira apagada, claro, mas mesmo assim ainda aconchegante, surge o inesperado da boca do meu homem:
- hoje tive um convite mais que estranho, já lhe disse?
- não.
não fiz perguntas. com ele bastava sempre só esperar. não nos mentíamos. amantes, embriaguez, de tudo ele acabaria (e acabou) sempre por me falar. era o seu jeito de ser casado comigo.
- estava eu no emprego quando a sua irmã me ligou a propor um almoço em casa dela. fiquei quase de cócoras de pasmo, pois se aos dois juntos ela nunca convida... porquê agora consigo aqui na quinta?
que era para eu não me sentir sozinho apressou-se a dizer. não fosse ela um carro de assalto, como você lhe chama e eu pensaria que me queria...
- engatar? e porque não? você é meu, é célebre e tem nome sonante. além de ser um espanto de homem, mas isso não sei se cabe na avaliação dela. porque não?
- bem, ela é sua irmã...
- pois. cada um nasce com o seu calvário. oiça amor , ela é bicho que caça em águas pantanosas e nem que eu desgastasse a mente e espremesse as meninges até as rebentar a conseguiria entender mais do que já disse. deu-lhe corda quando ia lá a casa agora...

- que é que quer ela fazia-me rir e ... é sua irmã.

- também o Abel e Caim eram...

não pensei mais naquilo até lhe encontrar o caderno onde isto ficou escrito "por causa dos outros também"*. tínhamos muito amor à nossa espera durante o sono doce das crianças.
mais tarde apercebi-me dos riscos de menosprezar um animal de sangue frio. mas nunca é tarde demais senão depois da morte e mesmo assim, depois da morte, sei eu lá.



*José de Almada Negreiros

15/10/2007

e aos 60 anos "ressuscitou"?!


    image by madalena pestana

    e ressuscitou!

    como quem nasceu para modelo. modelo de tudo. até de photoshop, ressuscitou para mentir de novo. para me usar a vida como sua. para ter notoridade. ele há notoridade maior que ressurgir da morte?

    o que a move? não sei. se calhar ao tempo do pai "poeta louco" já havia pilhas duracel e ainda não acabaram. se calhar o não ter tido nunca vida própria a obrigue a viver a vida alheia. se calhar o só ter tido um filho por cesariana a faça querer ter adoptado os meus.

    desta não, avozinha! desta chega! comigo não fizeste caridade. eu não sou uma das velhinhas ou crianças, tanto dá, que tu ajudaste a atravessar a rua. quando não o queriam fazer.
    os meus filhos pari-os e criei-os sem pai e desde cedo. não queres que conte mais, pois não ó velha tonta?

    sim, os mini-mercados faliram. mas quem sustentava as tuas férias de quinze ou vinte "católicos progressistas" ?- o mini-mercado do teu pai "poeta louco".
    a pide insultou-te assim tanto, como visitante? curioso. a mim que lá estive dentro não o fez. devias ser mesmo muito perigosa para terem tido medo de te prender!

    só li fragmentos desta vigésima quinta ou sexta entrevista (que náusea! que ridículo! se a lesse toda acabava a vomitar)

    se os casapianos, que eu muito respeito, como o meu pai me ensinou por ter sido um deles. a que chamava irmãos e levava para jantar o que encontrasse onde quer que fosse, aceitam que os representes. se os meus filhos apatetados com tanta "glória" da tia, te batem palmas, que te aproveite!

    cada qual tem o ídolo que merece.
    mas lá teres criado os meus filhos, Catalina Pestana- ESSA NÃO!

    fico por aqui porque sou contra a pedofilia. é que eu pari filhos e isso liga-nos para sempre. para a vida. quer tu queiras ou não.

    não a ti. a quem se atreve a parir em lugar de abortar e entende o que é uma criança ao vê-la dar o primeiro grito.

    o meu grito e último aviso é: - cala-te e não te atrevas a falar mais de mim. não te conheço há muito tempo já. e tu sabes bem isso. e o porquê!

    e há porquês piores. que nem tu calculas que também já sei.

    10/10/2007

    por causa de uma notícia de jornal (ou será de uma foto?)


      image by Madalena Pestana


      olhando nessa direcção hoje sinto o que não é meu de sentir. de novo.

      tudo parecia já adormecido. nem falara dos corvos, vê lá tu. interrompi blog após blog quando o pensamento se virava para ti. fugi vezes sem conta de fazer o que era inevitável desde há anos: matar-te!

      deixei até de conduzir quando a tentação que tive ao ver-te uma vez num cruzamento, me fez carregar no acelerador. não tive dúvida aquilo nao tinha outro nome, era ódio. louco, desvairado, incontrolável já.

      não quis ser eu a mão. não quis ser eu a arma. e nem te dei o luxo de ser eu a voz. tu havias de fazê-lo por mim.

      quase morri da espera. nem gritar eu gritei. ninguém me ouviu. sobretudo não tu. a ti fui vigiando os passos, hora a hora mais previsíveis. oh, como eu te conheço!

      e ontem quando, já distraída, mal te sabia ainda a existir atiram-me o teu lixo para o colo. a náusea recrudesceu mas nem aí gritei.

      silêncio. o silêncio é uma arte que nunca cultivaste. desconheces-lhe o som. mas soa tanto e alto!

      mais alto que os verbos que conheces: vencer. exibir. espezinhar. bajular. os verbos com que se ganha a vida muita vez...

      mas hoje alguém gritou. um grito saudável que (sem que o saibas ainda) furou, com o som estridente, o balão que tu és. eu respirei. de alívio por não ter sido meu o grito contra ti. de alívio porque houve o grito. de alívio porque acabaste de morrer e vais continuar a arrastar a vida por aí convencida de que vives e não há salvação para o mundo sem ti.

      a deus.

      RIP.