26/07/2010
Aleluia...
Seja como for aleluia pelo presente. sem euforia, quebrado e frio o grito é : Hallelujah!
05/07/2010
o amor dói
veio depois o puro sadio cansaço
a fazer parar
descansou o braço estendido e à espera
descansou os olhos do seu perscrutar
descansou a mente. mas não a memória a abarrotar
a seguir ergueu-se. apoio de parede
conseguiu-se erecta. coisa celular
já nada esperava
e já pouco queria
e passo após passo
liberta do laço
que ali a prendia
voltou a andar
o amor? o amor dói
mas é lá, à frente, que a dor vai passar.
MP
24/02/2009
Até um dia. Obrigada.
pixArmsShallows09/09/2008
estátua de amor
a tartaruga parecia uma estátua antes de eu me afastar. nada a faria mover a não ser a minha ausência.
queria tanto ser como uma tartaruga. antiga. como ela. couraçada. como ela. não saber da palavra amor. nunca ter entendido a palavra sequer. como ela.
mas lembro-me de ti. todos os dias. mesmo assim recuso dizer-escrever de novo, a palavra misteriosa do sofrimento.
do sofrimento sim. nunca amei sem sofrer.
não direi amo-te a mais ninguém. talvez no fim. na hora do último olhar antes do escuro, atire um inaudível grito - AMO-TE!
se te chegar. do longe. um arrepio, sem que haja frio ou brisa, era para ti o grito.
nem assim escutarás a palavra amo-te dita pelos meus lábios. tu ou quem quer que seja.
amo em silêncio. porque sei que o silêncio me ama.
talvez por isso só me atreva a amar-te no sonho. pela noite. com a noite.
mas o sonho é o sonho. e reservo-me o direito de sonhar. até ao fim.
foto de madalena pestana
30/07/2008
o empurrão para o fim ____ e os Amigos.
image by trinchetto
ao deixar de pensar reergui a cabeça. mais à tona de água
não há descidas infinitas. não há inferno sem paz. por fim.
a planície acolheu-me e os braços dos amigos____ ramadas estendidas
nunca
tinham deixado de estar lá.
sei agora o sítio exacto aonde estão e quantos são.
árvores benditas
a impedir que voltem a fazer-me____transbordar.
24/06/2008
por dentro dos rios. a alma
bendita hora.
07/03/2008
peso de pedra
peso de pedra ter a minha idade
idade quase pedra. de nascença.
aos ombros vidas de tantos passados
nos olhos palcos de tantos actores
na cabeça mil histórias por contar
a netos de outros colos
na alma um desapego à vida
um ar de adeus. desejo de partida
peso de pedra não temer a verdade
de estar sozinha mesmo em frente ao fim
seja definitivo ou eternidade
escondida ao nosso olhar de nada ver.
02/03/2008
engraçado, olha o fim.
19/11/2007
chuva no deserto
thirsty by Dario Menascea chuva chega a aliviar o caudal seco do rio dos meus nervos
há uma solidão de pedra nas gentes em volta. o cinzento traz isso
a quem ama a cidade e o cimento-cerco onde me perco como num deserto
respiro lento. bebo a humidade como as árvores empoeiradas de obras
gordurosas de óleos sufocadas de gases poluentes. respiro.
- lembro-te
pouco nos importava que chovesse e desabasse o mundo sobre nós
tanto se nos dava que fosse o sol escaldante nos areais sem norte
criávamos oásis ou abrigos com a imaginação
dadas que estivessem as mãos nada nos impedia de seguir rastos de água
- lembro-te
meu rio de sangue-vida. meu bordão de viagem. meu senhor e meu pajem
lembro-te e volto ao nosso rio sem rumo ou sequer margem
entro nele e mergulho sem saber quanto futuro ainda há por vir
só sei que estarás comigo até ao fim mais do que eu pude estar
morrerei a sentir e a amar. farás comigo a última viagem
- lembro-nos e sorrio
no corredor alguém diz em voz alta que faz frio – eu não o sinto...
viverei ainda no mesmo planeta ou persigo-te já na cauda de um cometa?





