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25/05/2009

sem rios

image by Christian Slanec


se todo feito gente

há um mundo que se cala

eu vergo à Natureza. que me fala


13/04/2009

som do meu silêncio

image by Katia Chausheva


tatuaram nas minhas costas. a chicote brando.

a dor da Natureza a morrer. e eu devia contar

mas não sei as palavras. esqueci-lhes o som. perdi-o no deserto

da cidade

no infinito deserto. pleno de ruídos de gente. ocupada

a ouvir o eco de si própria e nada mais. não. erro! há ainda

outros sons

de que serão? - são os sons de poder.

sons de mandar

silenciar.





não foi obedecer. - não aprendi isso! -

parei. no meio da cidade. apopléctica

atirei-me. eu-pedra. de encontro ao barulho. ensurdecedor!

do deserto real. de tanta gente feito!

estatelei.


foi aí que esqueci o por dizer da Natureza

e... calei-me. de vez!


sem cumprir o que era meu de servir à única Mãe
que nunca me falhou

falar de quê?



conto. apenas. por ser este o meu jeito.

12/12/2008

tu vibração de ar



image by timeismonye12 on flickr



mergulho em sombra
fumo um cigarro
expiro o nevoeiro
envolvo nele o rio

nada existe onde estou
nem céu nem sol
nada
o nada
o nada eu

surge um gato do escuro
brilha. brilha
olhou-me? não sei bem



image by alemdag on flickr



sei que uma chama
me atinge a liquidez gelada
fervo
mistura-se o vapor da fervura
ao nevoeiro. acresce-o

eu
cego ou quase

depois volto a olhar

do gato
só um miado doce vibra o ar
a garantir-me que ele esteve ali


08/12/2008

vestidos a verde

image by Jacek Lidwin


cubro-me a verde. não de esperança _______ não espero

já é outro o sentir

mostro as rugas à terra _______ olhos nos olhos

confiança de filha na mãe única. de braços sempre abertos

de colo sempre ali



é uma espera longa. a de partir. e eu já não sei ficar


nada me prende


penso - ainda amo. e entristeço. de nada já isso me irá servir

cubro-me a verde _______ erva que o inverno permite sobre a lama

sem cantos de ave. um silêncio nocturno

e faço amor sonhando. como tantos

o outro corpo? nunca o encontrarei pele contra pele

talvez assim _______ na Terra. todo a verde coberto

talvez assim _______ num dia por haver

27/10/2008

pausa sem termo certo

image from imageshack.us.






há tempos para tudo na vida

para o silêncio sobretudo. até na escrita



22/10/2008

estas minhas premunições

levam-me a minutos de silêncio antes da Hora...

foto de madalena pestana

Os Anjos dos modelos voluntários acompanham agora o Jaime na última e desconhecida caminhada.

Obrigada Jaime. :)



20/10/2008

bom dia

by TYLER C.GORE



se não entendeste o que quis dizer até agora. olha a minha mão

o tempo gasta-se. a memória. essa é a chave de todos os segredos

10/10/2008

Intervalo.


Le dernier repas
by Jacques Brel


A mon dernier repas
Je veux voir mes frères
Et mes chiens et mes chats
Et le bord de la mer
A mon dernier repas
Je veux voir mes voisins
Et puis quelques Chinois
En guise de cousins
Et je veux qu'on y boive
En plus du vin de messe
De ce vin si joli
Qu'on buvait en Arbois
Je veux qu'on y dévore
Après quelques soutanes
Une poule faisane
Venue du Périgord
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir les arbres dormir
En refermant leurs bras
Et puis, je veux encore
Lancer des pierres au ciel
En criant : "Dieu est mort !"
Une dernière fois

A mon dernier repas
Je veux voir mon âne
Mes poules et mes oies
Mes vaches et mes femmes
A mon dernier repas
Je veux voir ces drôlesses
Dont je fus maître et roi
Ou qui furent mes maîtresses
Quand j'aurai dans la panse
De quoi noyer la Terre
Je briserai mon verre
Pour faire le silence
Et chanterai à tue-tête
A la mort qui s'avance
Les paillardes romances
Qui font peur aux nonnettes
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir le soir qui chemine
Lentement vers la plaine
Et là, debout encore
J'insulterai les bourgeois
Sans crainte et sans remords
Une dernière fois

Après mon dernier repas {x2}
Je veux que l'on s'en aille
Qu'on finisse ripaille
Ailleurs que sous mon toit
Après mon dernier repas
Je veux que l'on m'installe
Assis seul comme un roi
Accueillant ses vestales
Dans ma pipe, je brûlerai
Mes souvenirs d'enfance
Mes rêves inachevés
Mes restes d'espérance
Et je ne garderai
Pour habiller mon âme
Que l'idée d'un rosier
Et qu'un prénom de femme
Puis je regarderai
Le haut de ma colline
Qui danse, qui se devine
Qui finit par sombrer
Et dans l'odeur des fleurs
Qui bientôt s'éteindra
Je sais que j'aurai peur
Une dernière fois.



http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Brel

27/09/2008

poema zero

photo by Pascal Renoux

abre-se o dia


desperto com ele. não me abro


fico em mim. com as palavras


sin.co.padas



hoje o dia abre por ti


fico-me pelo silêncio


aceno uma flor


ao sol


penso-te ______________ pão paz e terra


respiro a manhã. sem ti


abre-se o dia



uma flor



que se desfolha


nas mãos ansiosas do tempo


e uma palavra. não escrita



poema zero




parto toda

toda a vi.da______________ ainda a meio

de saber


o que é real do que vivi


09/09/2008

estátua de amor

The turtle seemed a statue until the moment at I saw it in motion


a tartaruga parecia uma estátua antes de eu me afastar. nada a faria mover a não ser a minha ausência.

queria tanto ser como uma tartaruga. antiga. como ela. couraçada. como ela. não saber da palavra amor. nunca ter entendido a palavra sequer. como ela.

mas lembro-me de ti. todos os dias. mesmo assim recuso dizer-escrever de novo, a palavra misteriosa do sofrimento.

do sofrimento sim. nunca amei sem sofrer.

não direi amo-te a mais ninguém. talvez no fim. na hora do último olhar antes do escuro, atire um inaudível grito - AMO-TE!

se te chegar. do longe. um arrepio, sem que haja frio ou brisa, era para ti o grito.

nem assim escutarás a palavra amo-te dita pelos meus lábios. tu ou quem quer que seja.

amo em silêncio. porque sei que o silêncio me ama.

talvez por isso só me atreva a amar-te no sonho. pela noite. com a noite.

mas o sonho é o sonho. e reservo-me o direito de sonhar. até ao fim.


foto de madalena pestana

29/02/2008

vozearia

image by Dave Preston

não descanso. não durmo. nem o som das águas chega aos meus ouvidos. a acalmar

como o ladrar de uma matilha na euforia da caça a vozearia na minha cabeça estala e sobe

vozes de mortos e de vivos agurmentam. dizem de sua razão. todos a têm

a cada um sua razão. não se encontram. não dialogam. falam. tão alto que a cabeça me estoura no escutar

hão-de dizer - é louca se houve vozes. hão-de dizer. já dizem muitas coisas mais

mas esses não importam. não entram na minha cabeça. não são deste meu mundo de vivos e de mortos

sinto-me um receptor de onda curta. não emito. recebo tudo numa amplidão insuportável

saberão que os escuto? não. não podem saber. se soubessem conviriam também quanto os conheço

porque eles não se auscultam entre si e eu nem posso sequer impedir-me isso

tanta voz! tanto eu! tanta dor sem remorso! tanta crueza! tanta intolerância! tanto silêncio em grito (o dos mortos)!

mando calar o meu animal de estimação que ladra a um odor novo ali por perto

não obedece. e de que serviria se são as razões dos vivos e dos mortos que me martelam o cérebro sem cessar?

onde é o interruptor que desliga isto? isto de ser receptor sem poder interferir? onde?

não sei.