25/05/2009
13/04/2009
som do meu silêncio
mas não sei as palavras. esqueci-lhes o som. perdi-o no deserto
a ouvir o eco de si própria e nada mais. não. erro! há ainda
sons de mandar

não foi obedecer. - não aprendi isso! -
parei. no meio da cidade. apopléctica
atirei-me. eu-pedra. de encontro ao barulho. ensurdecedor!
do deserto real. de tanta gente feito!
e... calei-me. de vez!
sem cumprir o que era meu de servir à única Mãe
que nunca me falhou
falar de quê?
conto. apenas. por ser este o meu jeito.
16/03/2009
25/01/2009
25/12/2008
12/12/2008
tu vibração de ar

image by timeismonye12 on flickr
mergulho em sombra
fumo um cigarro
expiro o nevoeiro
envolvo nele o rio
nada existe onde estou
nem céu nem sol
nada
o nada
o nada eu
surge um gato do escuro
brilha. brilha
olhou-me? não sei bem

image by alemdag on flickr
sei que uma chama
me atinge a liquidez gelada
fervo
mistura-se o vapor da fervura
ao nevoeiro. acresce-o
eu
cego ou quase
depois volto a olhar
do gato
só um miado doce vibra o ar
a garantir-me que ele esteve ali
08/12/2008
vestidos a verde
já é outro o sentir
mostro as rugas à terra _______ olhos nos olhos
confiança de filha na mãe única. de braços sempre abertos
de colo sempre ali
é uma espera longa. a de partir. e eu já não sei ficar
nada me prende
penso - ainda amo. e entristeço. de nada já isso me irá servir
cubro-me a verde _______ erva que o inverno permite sobre a lama
sem cantos de ave. um silêncio nocturno
e faço amor sonhando. como tantos
o outro corpo? nunca o encontrarei pele contra pele
talvez assim _______ na Terra. todo a verde coberto
talvez assim _______ num dia por haver
27/10/2008
22/10/2008
estas minhas premunições
foto de madalena pestanaOs Anjos dos modelos voluntários acompanham agora o Jaime na última e desconhecida caminhada. Obrigada Jaime. :)
20/10/2008
bom dia
se não entendeste o que quis dizer até agora. olha a minha mão
o tempo gasta-se. a memória. essa é a chave de todos os segredos
10/10/2008
Intervalo.

by Jacques Brel
Je veux voir mes frères
Et mes chiens et mes chats
Et le bord de la mer
A mon dernier repas
Je veux voir mes voisins
Et puis quelques Chinois
En guise de cousins
Et je veux qu'on y boive
En plus du vin de messe
De ce vin si joli
Qu'on buvait en Arbois
Je veux qu'on y dévore
Après quelques soutanes
Une poule faisane
Venue du Périgord
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir les arbres dormir
En refermant leurs bras
Et puis, je veux encore
Lancer des pierres au ciel
En criant : "Dieu est mort !"
Une dernière fois
A mon dernier repas
Je veux voir mon âne
Mes poules et mes oies
Mes vaches et mes femmes
A mon dernier repas
Je veux voir ces drôlesses
Dont je fus maître et roi
Ou qui furent mes maîtresses
Quand j'aurai dans la panse
De quoi noyer la Terre
Je briserai mon verre
Pour faire le silence
Et chanterai à tue-tête
A la mort qui s'avance
Les paillardes romances
Qui font peur aux nonnettes
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir le soir qui chemine
Lentement vers la plaine
Et là, debout encore
J'insulterai les bourgeois
Sans crainte et sans remords
Une dernière fois
Après mon dernier repas {x2}
Je veux que l'on s'en aille
Qu'on finisse ripaille
Ailleurs que sous mon toit
Après mon dernier repas
Je veux que l'on m'installe
Assis seul comme un roi
Accueillant ses vestales
Dans ma pipe, je brûlerai
Mes souvenirs d'enfance
Mes rêves inachevés
Mes restes d'espérance
Et je ne garderai
Pour habiller mon âme
Que l'idée d'un rosier
Et qu'un prénom de femme
Puis je regarderai
Le haut de ma colline
Qui danse, qui se devine
Qui finit par sombrer
Et dans l'odeur des fleurs
Qui bientôt s'éteindra
Je sais que j'aurai peur
Une dernière fois.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Brel
27/09/2008
poema zero
respiro a manhã. sem ti
abre-se o dia
uma flor
que se desfolha
nas mãos ansiosas do tempo
e uma palavra. não escrita
poema zero
parto toda
toda a vi.da______________ ainda a meio
de saber
o que é real do que vivi
09/09/2008
estátua de amor
a tartaruga parecia uma estátua antes de eu me afastar. nada a faria mover a não ser a minha ausência.
queria tanto ser como uma tartaruga. antiga. como ela. couraçada. como ela. não saber da palavra amor. nunca ter entendido a palavra sequer. como ela.
mas lembro-me de ti. todos os dias. mesmo assim recuso dizer-escrever de novo, a palavra misteriosa do sofrimento.
do sofrimento sim. nunca amei sem sofrer.
não direi amo-te a mais ninguém. talvez no fim. na hora do último olhar antes do escuro, atire um inaudível grito - AMO-TE!
se te chegar. do longe. um arrepio, sem que haja frio ou brisa, era para ti o grito.
nem assim escutarás a palavra amo-te dita pelos meus lábios. tu ou quem quer que seja.
amo em silêncio. porque sei que o silêncio me ama.
talvez por isso só me atreva a amar-te no sonho. pela noite. com a noite.
mas o sonho é o sonho. e reservo-me o direito de sonhar. até ao fim.
foto de madalena pestana
29/02/2008
vozearia
não descanso. não durmo. nem o som das águas chega aos meus ouvidos. a acalmar
como o ladrar de uma matilha na euforia da caça a vozearia na minha cabeça estala e sobe
vozes de mortos e de vivos agurmentam. dizem de sua razão. todos a têm
a cada um sua razão. não se encontram. não dialogam. falam. tão alto que a cabeça me estoura no escutar
hão-de dizer - é louca se houve vozes. hão-de dizer. já dizem muitas coisas mais
mas esses não importam. não entram na minha cabeça. não são deste meu mundo de vivos e de mortos
sinto-me um receptor de onda curta. não emito. recebo tudo numa amplidão insuportável
saberão que os escuto? não. não podem saber. se soubessem conviriam também quanto os conheço
porque eles não se auscultam entre si e eu nem posso sequer impedir-me isso
tanta voz! tanto eu! tanta dor sem remorso! tanta crueza! tanta intolerância! tanto silêncio em grito (o dos mortos)!
mando calar o meu animal de estimação que ladra a um odor novo ali por perto
não obedece. e de que serviria se são as razões dos vivos e dos mortos que me martelam o cérebro sem cessar?
onde é o interruptor que desliga isto? isto de ser receptor sem poder interferir? onde?
não sei.








