vejo a vida passar. nada me prende os olhos. flutuam
a verdade é um espelho envelhecido
a realidade. essa. invade-me os ouvidos sem nada ter de meu
não me movo. fumo o tempo. deixo que se consuma
só há um nome para os valores de agora. e não o digo
uso-o no essencial. se há resto, segue por outra vida fora
corre-me um rio de raiva. borbulha-me nos sonhos
já nem tu te sobrepões à força do caudal
fujo. escondo-me. como um animal
acossado pelo próprio instinto
fujo. fujo de quê? face ao valor maior eu nada sinto...

