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09/10/2008

a fábula

photo at i190.photobucket




uivo desesperado.

a animal acossado até o som do vento faz tremer

apela aos seus. de longe. mas que espécie se ocupa hoje dos que vão tombar?


isso era em outros tempos. eram outras as feras

outros os caçadores. outras esperas...




fawn National Geographic




não esta espera porque agora vivo


presa fácil até do teu olhar que fere


pela indiferença que me atravessa inteira


defendo-me da dor. enrodilhando-me no próprio corpo


tu segues os caminhos do teu dia


o animal que sou respira. mais seguro


a mulher que em mim vive, fica só mais vazia





uivo a raiva de não saltar o muro


da minha___ assim___ inútil fantasia.



30/09/2008

deus dinheiro

photo by Yuri Bonder



vejo a vida passar. nada me prende os olhos. flutuam


a verdade é um espelho envelhecido


a realidade. essa. invade-me os ouvidos sem nada ter de meu

não me movo. fumo o tempo. deixo que se consuma



só há um nome para os valores de agora. e não o digo


uso-o no essencial. se há resto, segue por outra vida fora




corre-me um rio de raiva. borbulha-me nos sonhos


já nem tu te sobrepões à força do caudal



fujo. escondo-me. como um animal


acossado pelo próprio instinto



fujo. fujo de quê? face ao valor maior eu nada sinto...


12/03/2008

param as águas correntes ?


foto de madalena pestana

este blog nasceu como outros tantos para destruir a inveja e tentar vencer a indiferença.
são duas terríveis características humanas. da modernidade. sobretudo.

a inveja não sei se destruiu. deixei de a ver. ceguei para ela. falei dela e dentro de mim... matei-a. se a nomeei. não merecia.

a indiferença não a venceu. essa é menos corrosiva na aparência mas mais cobarde. foge até do seu nome. prefere usar o de vítima.

o indiferente vitimiza-se. e ai de quem não se condoa.

não tenho tempo ou paciência para mais. que vivam o que são e como são. e eu com isso?

afinal não sou deus ou diabo para querer ou poder mudar a alma humana.

a indiferença é uma parede baça que se há-de magoar dia a dia mais nas arestas de si mesma. não sabe isso. é preciso viver para saber. e viver muito. e sofrer muito. de muitas dores. próprias e alheias.

a indiferença desperta depois da morte. de outros. e é tarde. tarde até para continuar indiferente. mas...

Fall_River by David Halpern


... mas os rios correm e não param ao gosto da indiferença. essa, com a inveja irão parar ao esgoto da humanidade e tal como os rios que nos correm serão, em breve, nada na imensidão do mar.

afinal é de água que sempre falo aqui. esgotos e rios têm o mesmo fim. o mar.

o mar.

o Mar!