25/03/2009
o medo e a promessa
na noite. na minha. noite lua nova. rodopio medos. emoções esquecidas no tempo de escola
sou eu? eu quem teme. quem treme de um frio que nem mesmo há? sou eu esta agora. a mesma. a de ontem?
que foi que me fiz? onde está força de desfazer muros? com o gesto exacto. verso vendaval?
ah! serão as dores... terá de ser isso. não medo da morte. essa é minha amiga e sabe que a espero
de braços estendidos. de sorriso aberto. sem mãos a tremer.
sim. as dores que tolhem e trazem o medo de que tu não saibas. de que tu não creias.
espera um pouco mais. todas as dores passam e eu corro para ti
corro para cumprir o que sem falar. olhos nos teus olhos. sei que prometi e esperas de mim
08/01/2008
na noite branca, aos "pulus " "sem balanço e a pés juntos"
a aranha estava lá, na entrada da porta. ninguém entrava ou saía sem a ver. de claro vestida como a teia urdida. a aranha não soube ser aranha. só soube tecer teias.
as aranhas são hábeis na arte de passar despercebidas para atacar depois a presa incauta.
falharam duas coisas essenciais, a discrição da aranha e a falta de cautela da presa apetecida.
mas a aranha não deixou de estar lá. o tempo todo. sem se aquietar um pouco. não fez juz à fama de predador astuto.
- que faz uma aranha num vespeiro? é luta inglória. ou quererá envenenar tanta vespa de uma picada só?
comentava-se à esquerda. ao centro nem a viam. os da direita riam ou melhor, maldiziam.
*
saí. era noite mas havia sol na rua. o sol dos amigos que o são. que o foram desde o que parecem séculos. rimos , abraçámo-nos. fizemos projectos para eventos que quem sabe se concretizarão ou não. isso que importa? respirámos o mesmo ar são.
o que tinha visto era bom? era mau? também não importava. para quem não conhecia o escritor era sobretudo muito melhor que o nada feito até agora, com excepção das entrevistas que só aproveitaram a quem as deu.
as versões, no documentário, vindas de primos e amigos, essas não me espantaram. como diria um conhecido meu: "nestas coisas, os que concordam dizem que sim, os que discordam dizem que não." ali não foi diferente.
ficou pelo menos claro que "U Omãi qe Dava Pulus" dava "pulus" grandes. tão grandes que a muitos que dizem conhecê-lo , ainda hoje lhes sai "pêlo tôpu".
fim de estação.
*
a aranha? bem, a aranha de facto estava lá. fora de sítio mas isso é seu costume. não que eu tenha alguma coisa contra a beleza das teias mas não lhes caio dentro por terem visco a mais. aprendi isso em menina, descalça pelos montes. já nessa altura aos "pulus", eu também.


