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09/08/2009

Raul Solnado faz o favor de por Deus a rir. Tu és capaz!

Primeiro o lamento de quem fica muito mais pobre por perder-te.

Hoje e para sempre a coroação, com flores simples, iguais à amizade do povo simples que amaste e que te Ama.

Obrigada Raul Solnado e... até já!
A gente ainda se vai rir com a Graça que Deus tem.

RIP.

A crown for an Actor - by MagdaMontemor
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sorrow_by_MagdaMontemor

24/01/2009

the tears that I don´t know how to cry



silêncio é a única palavra que me cerca. em letras por unir.

apaga letra a letra esta espécie de morte. articula-te. comigo

por ti. por mim. pelo som do riso novo que me falta

para escrever o poema que tu és.

24/10/2008

gargalhada

my roots are in the Earth
foto de madalena pestana


as minhas raízes estão na Terra

em cima __ à superfície __ cruzam-se. como riachos

correntes de uma fonte de sede interminável


têm que descer fundo. encontrar __ dentro à mãe __ os rios

___ quem sabe se diferentes... ___

que as hão-de saciar.

no topo __ os ramos riem

riem pela manhã

ao primeiro sopro de brisa ou raio de sol

que lhes faça rumorejar as folhas


uma ou outra ave conhece já __ de cor

esse riso de árvore antiga que sacode a poeira da dor

de ter de estar exposta. à superfície. sem defesas aparentes

mas que são as raízes senão a força que mantém uma árvore de pé?


as aves. uma ou outra. acenam-lhe com o canto

cresce o dia!

___ o mundo suporta os pés dos homens sobre ele ___



enquanto a árvore ri ___ como um abrigo acolhe ___ a quem passar

raízes atravessando o coração da Terra

até à água. a benção. a vida. a paz.

reprodução do riso




liquefeita forma do amor


17/09/2008

ricos riscos

foto by R Dichavičius


arrisco por fim sair do escuro

acendo o dia. com o olhar mais velho mas atiçado pela vontade de viver

maior

que a antiga vontade de sair da terra para um espaço qualquer


re.encontro

outro risco. temo. anseio. sei-o

e se não for aquele que conheço?



chegou primeiro a voz. a ironia. o riso subjacente

rostos impermiáveis ao gostar

mais outra gente. sempre. tão um minuto a sós seria bom



arrisco olhar-te bem. dentro dos olhos

deixo-me a alma entrar-lhes. saio arriscada.mente a rir



não piso o risco

olho-o . meço-o

o beijo. esse. peço-o


adolescente a gostar de ser assim



foto by Pascal Renoux


noite

alma em ebulição

alívio da descrença

era verdade aquilo que sentia. posso rir alto. agora. divertida

deito-me. lembro. quero


deixo-te. é o costume. a minha mão estendida...


07/07/2008

7 horas am

at PortugalGuiden


estranho o psiquismo

estranho. estranho o jogo

que jogamos

de nós para connosco



adormeço. amorfa

apagada chama

de quem já não quer nem chama ninguém

nem por cão. por gato. ou nome de mãe.


amorfa

esperando nada. além do sono

tão parecido à morte

tão ensaio dela. chega a saber bem...




estranho. estranho jogo!

acordo de um sonho a rir. alto som

qual morte. qual fim?


que sabor a água corrente. na cara. teve aquele sonho


pela segunda noite. do segundo dia. antes de te ver



a morte vem quando?


quero lá saber?! há-de vir por certo


quando eu não tiver vontade de rir.



ainda assim. creio. vai ser dura a luta

com um inconsciente

feito pura água. que ri. gargalhando

saltando nas pedras. tão criança à solta .




a cara sisuda não resiste ao espelho


com os olhos a rir. saio para a rua



uma hora mais cedo. bem pela manhã.


08/01/2008

na noite branca, aos "pulus " "sem balanço e a pés juntos"

image by turku_web

a aranha estava lá, na entrada da porta. ninguém entrava ou saía sem a ver. de claro vestida como a teia urdida. a aranha não soube ser aranha. só soube tecer teias.

as aranhas são hábeis na arte de passar despercebidas para atacar depois a presa incauta.

falharam duas coisas essenciais, a discrição da aranha e a falta de cautela da presa apetecida.

mas a aranha não deixou de estar lá. o tempo todo. sem se aquietar um pouco. não fez juz à fama de predador astuto.

- que faz uma aranha num vespeiro? é luta inglória. ou quererá envenenar tanta vespa de uma picada só?

comentava-se à esquerda. ao centro nem a viam. os da direita riam ou melhor, maldiziam.

*

saí. era noite mas havia sol na rua. o sol dos amigos que o são. que o foram desde o que parecem séculos. rimos , abraçámo-nos. fizemos projectos para eventos que quem sabe se concretizarão ou não. isso que importa? respirámos o mesmo ar são.

o que tinha visto era bom? era mau? também não importava. para quem não conhecia o escritor era sobretudo muito melhor que o nada feito até agora, com excepção das entrevistas que só aproveitaram a quem as deu.

as versões, no documentário, vindas de primos e amigos, essas não me espantaram. como diria um conhecido meu: "nestas coisas, os que concordam dizem que sim, os que discordam dizem que não." ali não foi diferente.

ficou pelo menos claro que "U Omãi qe Dava Pulus" dava "pulus" grandes. tão grandes que a muitos que dizem conhecê-lo , ainda hoje lhes sai "pêlo tôpu".

fim de estação.

*

a aranha? bem, a aranha de facto estava lá. fora de sítio mas isso é seu costume. não que eu tenha alguma coisa contra a beleza das teias mas não lhes caio dentro por terem visco a mais. aprendi isso em menina, descalça pelos montes. já nessa altura aos "pulus", eu também.

07/01/2008

a gente vê-se por aí ...

Luíz Pacheco (foto gamada não me lembro de onde)

Luiz Pacheco (1925-2008).


Foi muito tempo, Luiz.
Que os deuses não permitam que eu dure tanto num lar qualquer ou na rua.

Raios os partam! escritor maldito?

Maldita hipocrizía.

A gente reencontra-se por aí como sempre

Obrigada pelos chocolaste que me deste aos vinte anos comprados com o dinheiro das esmolas da Igreja do Carmo.

"aquilo era para os pobres... eu sou pobre, tirei."

Se vires o Carlos, manda-lhe o que ele sabe que lhe quero mandar. E nada de perguntas indiscretas. Grande descarado! :)

Se houver um outro lado, grande festa havemos de fazer!

Beijo, rapaz e, Paz! ( ou entáo: pás!)


RIP

19/10/2007

milagre em Fátima...

- preciso ter uma Páscoa decente. sempre foi importante para mim esta data. vem comigo a Fátima? está lá o seu amigo padre e você até disse poemas. assim aproveito e oiço-a também.

- sim mas já estão gravados. Fátima não é bem a luz que me alumia, sabes isso.

- nem a mim. mas não voltei lá desde que ia passear a mãe a casa da Lúcia. assim aproveito e visito as antigas criadas. faço-as felizes.
dizer-lhe que não era difícil. ele precisava. tinha duas costelas partidas numa escorregadela de tapete, mas precisava conduzir até Fátima assim. estava um frio de rachar costelas sãs. nem um hotel marcado. nada. mas era preciso. assim, de véspera.

- bem, se precisa, vamos.

- não se você não quer.

ah, tanta educação às vezes dava vontade de explodir como naquele dia - podias ter começado por perguntar primeiro!

não explodi. afinal ele precisava. a minha missão com ele já era de serviço há muito tempo. coisa de mãe mais nova do que o filho, mas presente na hora.

image by BA Mark Mapa

dormida numa casa de freiras fria e árida. as dores nas vértebras cresceram. as velhas senhoras agradeceram-me tê-lo levado lá. obrigada. nunca pensámos ver de novo o nosso príncipe aqui. aos pés de nossa Senhora. a mãezinha dele deve estar tão feliz...

muitas orações, reuniões, meditações e vias-sacras depois, comigo a servir de voz na contemplação dos mistérios, lá nos arranjaram um quarto decente. estava exausta. bem precisava, agora eu, dormir. mas o corpo dele precisava do meu. estava eufórico. cortar-lhe a rara felicidade, esteve para mim fora de questão. na dúvida de ter esquecido a pílula tomei outra.

e nesse dia engravidei.

image by Marino Mannarini

quando se pede um milagre não se pode escolher qual. aprendi.

depois do choque incial pelo imprevisto (e foi bem grande). imaginei uma filha nascendo com uma pílula na mão a rir à gargalhada. a filha tenho-a. saudável. reguila. atrevida. peremptória no acto de nascer e de viver. a pílula deve tê-la perdido lá nos rios-misteriosos-regaços por onde navegou até a poder ver. eu ri.

mas a Fátima não penso voltar. não vá a santa, carregada de jóias, tecê-las outra vez.

*

ao acabar de ler isto apetece-me com urgência um café. imaginar Maria em Fátima é difícil. mas contado por ela ... tenho de acreditar.