Hoje e para sempre a coroação, com flores simples, iguais à amizade do povo simples que amaste e que te Ama.
Obrigada Raul Solnado e... até já!
RIP.
A crown for an Actor - by MagdaMontemor__________________________
sorrow_by_MagdaMontemor
- "Não há um lado mau da vida: a vida é una" - Bernard Shaw photo - Ithaca by Arthur Durkee
A crown for an Actor - by MagdaMontemor
sorrow_by_MagdaMontemor
as minhas raízes estão na Terra
em cima __ à superfície __ cruzam-se. como riachos
correntes de uma fonte de sede interminável
têm que descer fundo. encontrar __ dentro à mãe __ os rios
___ quem sabe se diferentes... ___
que as hão-de saciar.
no topo __ os ramos riem
riem pela manhã
ao primeiro sopro de brisa ou raio de sol
que lhes faça rumorejar as folhas
uma ou outra ave conhece já __ de cor
esse riso de árvore antiga que sacode a poeira da dor
de ter de estar exposta. à superfície. sem defesas aparentes
mas que são as raízes senão a força que mantém uma árvore de pé?
as aves. uma ou outra. acenam-lhe com o canto
cresce o dia!
___ o mundo suporta os pés dos homens sobre ele ___
enquanto a árvore ri ___ como um abrigo acolhe ___ a quem passar
raízes atravessando o coração da Terra
até à água. a benção. a vida. a paz.
reprodução do riso
liquefeita forma do amor
foto by Pascal Renoux
noite
alma em ebulição
alívio da descrença
era verdade aquilo que sentia. posso rir alto. agora. divertida
deito-me. lembro. quero
deixo-te. é o costume. a minha mão estendida...
adormeço. amorfa
apagada chama
de quem já não quer nem chama ninguém
nem por cão. por gato. ou nome de mãe.
amorfa
esperando nada. além do sono
tão parecido à morte
tão ensaio dela. chega a saber bem...
estranho. estranho jogo!
acordo de um sonho a rir. alto som
qual morte. qual fim?
que sabor a água corrente. na cara. teve aquele sonho
pela segunda noite. do segundo dia. antes de te ver
a morte vem quando?
quero lá saber?! há-de vir por certo
quando eu não tiver vontade de rir.
ainda assim. creio. vai ser dura a luta
com um inconsciente
feito pura água. que ri. gargalhando
saltando nas pedras. tão criança à solta .
a cara sisuda não resiste ao espelho
com os olhos a rir. saio para a rua
uma hora mais cedo. bem pela manhã.
a aranha estava lá, na entrada da porta. ninguém entrava ou saía sem a ver. de claro vestida como a teia urdida. a aranha não soube ser aranha. só soube tecer teias.
as aranhas são hábeis na arte de passar despercebidas para atacar depois a presa incauta.
falharam duas coisas essenciais, a discrição da aranha e a falta de cautela da presa apetecida.
mas a aranha não deixou de estar lá. o tempo todo. sem se aquietar um pouco. não fez juz à fama de predador astuto.
- que faz uma aranha num vespeiro? é luta inglória. ou quererá envenenar tanta vespa de uma picada só?
comentava-se à esquerda. ao centro nem a viam. os da direita riam ou melhor, maldiziam.
*
saí. era noite mas havia sol na rua. o sol dos amigos que o são. que o foram desde o que parecem séculos. rimos , abraçámo-nos. fizemos projectos para eventos que quem sabe se concretizarão ou não. isso que importa? respirámos o mesmo ar são.
o que tinha visto era bom? era mau? também não importava. para quem não conhecia o escritor era sobretudo muito melhor que o nada feito até agora, com excepção das entrevistas que só aproveitaram a quem as deu.
as versões, no documentário, vindas de primos e amigos, essas não me espantaram. como diria um conhecido meu: "nestas coisas, os que concordam dizem que sim, os que discordam dizem que não." ali não foi diferente.
ficou pelo menos claro que "U Omãi qe Dava Pulus" dava "pulus" grandes. tão grandes que a muitos que dizem conhecê-lo , ainda hoje lhes sai "pêlo tôpu".
fim de estação.
*
a aranha? bem, a aranha de facto estava lá. fora de sítio mas isso é seu costume. não que eu tenha alguma coisa contra a beleza das teias mas não lhes caio dentro por terem visco a mais. aprendi isso em menina, descalça pelos montes. já nessa altura aos "pulus", eu também.
Foi muito tempo, Luiz.
Que os deuses não permitam que eu dure tanto num lar qualquer ou na rua.
Raios os partam! escritor maldito?
Maldita hipocrizía.
A gente reencontra-se por aí como sempre
Obrigada pelos chocolaste que me deste aos vinte anos comprados com o dinheiro das esmolas da Igreja do Carmo.
"aquilo era para os pobres... eu sou pobre, tirei."
Se vires o Carlos, manda-lhe o que ele sabe que lhe quero mandar. E nada de perguntas indiscretas. Grande descarado! :)
Se houver um outro lado, grande festa havemos de fazer!
Beijo, rapaz e, Paz! ( ou entáo: pás!)
RIP
- bem, se precisa, vamos.
- não se você não quer.
ah, tanta educação às vezes dava vontade de explodir como naquele dia - podias ter começado por perguntar primeiro!
muitas orações, reuniões, meditações e vias-sacras depois, comigo a servir de voz na contemplação dos mistérios, lá nos arranjaram um quarto decente. estava exausta. bem precisava, agora eu, dormir. mas o corpo dele precisava do meu. estava eufórico. cortar-lhe a rara felicidade, esteve para mim fora de questão. na dúvida de ter esquecido a pílula tomei outra.
e nesse dia engravidei.
image by Marino Mannarini quando se pede um milagre não se pode escolher qual. aprendi.
depois do choque incial pelo imprevisto (e foi bem grande). imaginei uma filha nascendo com uma pílula na mão a rir à gargalhada. a filha tenho-a. saudável. reguila. atrevida. peremptória no acto de nascer e de viver. a pílula deve tê-la perdido lá nos rios-misteriosos-regaços por onde navegou até a poder ver. eu ri.
mas a Fátima não penso voltar. não vá a santa, carregada de jóias, tecê-las outra vez.
*
ao acabar de ler isto apetece-me com urgência um café. imaginar Maria em Fátima é difícil. mas contado por ela ... tenho de acreditar.