30/07/2010
Na hora em que partiste, António Feio
"A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade." - Dostoievski
Tu António, seguramente conheceste a Verdade.
Também soubeste o significado desta canção. Até a máquina não permitir mais!
Obrigada António Feio por teres cumprido a vida que te coube.
Até breve.
Madalena
05/07/2010
o amor dói
veio depois o puro sadio cansaço
a fazer parar
descansou o braço estendido e à espera
descansou os olhos do seu perscrutar
descansou a mente. mas não a memória a abarrotar
a seguir ergueu-se. apoio de parede
conseguiu-se erecta. coisa celular
já nada esperava
e já pouco queria
e passo após passo
liberta do laço
que ali a prendia
voltou a andar
o amor? o amor dói
mas é lá, à frente, que a dor vai passar.
MP
04/07/2010
25/04/2009
Renovação
ensina o cravo aos teus filhos
como quem conta um segredo
como quem lhes dá o leite
como quem lhes sara o medo
de ser de rir de viver!
ensina o cravo aos teus filhos
faz Portugal renascer
desta sombra deste baço
desta memória cansada
de uma Vitória que foi
grande livre e encarnada
toda cor e felicidade
toda Paz e Alegria
Fé no Futuro
e vergonha de um passado a não esquecer
para que não se repita
não vá Portugal morrer.
09/04/2009
25/03/2009
o medo e a promessa
na noite. na minha. noite lua nova. rodopio medos. emoções esquecidas no tempo de escola
sou eu? eu quem teme. quem treme de um frio que nem mesmo há? sou eu esta agora. a mesma. a de ontem?
que foi que me fiz? onde está força de desfazer muros? com o gesto exacto. verso vendaval?
ah! serão as dores... terá de ser isso. não medo da morte. essa é minha amiga e sabe que a espero
de braços estendidos. de sorriso aberto. sem mãos a tremer.
sim. as dores que tolhem e trazem o medo de que tu não saibas. de que tu não creias.
espera um pouco mais. todas as dores passam e eu corro para ti
corro para cumprir o que sem falar. olhos nos teus olhos. sei que prometi e esperas de mim
21/02/2009
12/02/2009
"Bicho, meu lindo Bicho!" Não parece que foi ontem. Foi Hoje.
foto de madalena pestana dedicada a Nuno Bragança
"À descoberta de Nuno Bragança
Nem livro nem página em branco: a vida e a obra do escritor Nuno Bragança, nascido há 80 anos, continuam, ainda, demasiado desconhecidas.
(...) Nuno Bragança era um e vários, memória pessoana (...)" por Sílvia Souto Cunha em Visão - Cultura, Figura. (12 de Fev. de 2oo9 - pág 100)
A este texto, dos melhores que li, pelo que conheço do autor, e mais se aproximou (por não tentar parecer saber o que , de facto, não sabe) e, com o apoio do filho, Manuel Luís de Bragança, "o mais velho dos cinco filhos do autor", urge só uma pequena adenda: o nome dos outros filhos ou "os nossos putos" como ele, Nuno, preferia chamar-lhes: Maria de Bragança, Teresa de Bragança, Marco de Bragança, Leonor de Bragança (os dois últimos, filhos dele e da sua segunda mulher).
___*___
assim, meu Bicho, a lista está completa e, se a noite perdura, ainda ouço a tua gargalhada estridente no ar. o teu Riso. como agora. sempre que sabes porque digo o que digo.
PS. "Isto anda tudo ligado" - tu, citando Tolstoi.
e... ter nascido no dia de Darwin, Homem?
até já.
Magda
05/01/2009
senhor "Deus dos Exércitos"
filhos de Abraão _ Isaque e Ismael
"Pesquisadores fizeram um estudo de DNA e comprovaram que judeus e árabes são parentes próximos, como diz a Bíblia. A descoberta significa que todos são originários de uma mesma comunidade ancestral, que viveu no Oriente Médio há 4.000 anos. Isso significa que a genética comprovou o parentesco bem próximo, maior que o existente entre judeus e a maioria das outras populações.
Segundo eles, quatro milênios representam apenas 200 gerações. Esse tempo seria muito curto para mudanças genéticas significativas. Os cientistas envolvidos no estudo também perceberam que, apesar da longa diáspora, as populações judaicas mantiveram intacta a identidade biológica. Eles afirmam que o resultado não apenas está de acordo com a tradição bíblica, como refutam a tese de que as comunidades judaicas atuais consistem principalmente de descendentes de convertidos de outras crenças."
Pois. Há lá pior que guerras fraticidas?
Há. Há simplesmente a Guerra - uma intenção eterna do homem. sobre a Terra.
03/12/2008
coisas do Frio
a linha recta a apontar infinitos - a distância
esfriou-me o sentir. os afectos congelaram. semelhança de morte
tudo se assemelha quando o inverno vem. as cores. os aromas
as gentes. os gestos. as vestes. as casas vazias ou pejadas
quase sempre geladas. em verdade. de verdades quentes
tu. que me não faltavas. congelaste a distância
do sonho congelado por ti as cataratas líquidas. salgadas
que deveriam correr directamente dos meus olhos para o mar
congelaram
brancas e inúteis porque não servirão a qualquer
primavera por chegar
24/11/2008
estação

vesti-me a rigor para a entrada mágica
do Outono
queria a languidez da morte. prevista ansiada
que todos os anos antecede o gosto
de se renascer
vesti-me a rigor com as cores quentes
feitas de folhas quase a decompor
de frutos deixados no lugar de flores

depois flutuei na beira do rio
folha-eu caída de dentro de mim
sem temores de morte. é isso o outono. a renovação
a chuva não veio. o rio não encheu
serão as estações que estão a mudar?
ou nesta estação que tanto anseei. para a qual me vesti de folhas e frutos
só termino eu?
images by Al Magnus
05/11/2008
do processo de estatificação
02/11/2008
pausa breve na Pausa
ou fui eu que morri e me recuso. por teimosia. a acreditar na morte (minha para o Amor)?
22/10/2008
estas minhas premunições
foto de madalena pestanaOs Anjos dos modelos voluntários acompanham agora o Jaime na última e desconhecida caminhada. Obrigada Jaime. :)
10/10/2008
Intervalo.

by Jacques Brel
Je veux voir mes frères
Et mes chiens et mes chats
Et le bord de la mer
A mon dernier repas
Je veux voir mes voisins
Et puis quelques Chinois
En guise de cousins
Et je veux qu'on y boive
En plus du vin de messe
De ce vin si joli
Qu'on buvait en Arbois
Je veux qu'on y dévore
Après quelques soutanes
Une poule faisane
Venue du Périgord
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir les arbres dormir
En refermant leurs bras
Et puis, je veux encore
Lancer des pierres au ciel
En criant : "Dieu est mort !"
Une dernière fois
A mon dernier repas
Je veux voir mon âne
Mes poules et mes oies
Mes vaches et mes femmes
A mon dernier repas
Je veux voir ces drôlesses
Dont je fus maître et roi
Ou qui furent mes maîtresses
Quand j'aurai dans la panse
De quoi noyer la Terre
Je briserai mon verre
Pour faire le silence
Et chanterai à tue-tête
A la mort qui s'avance
Les paillardes romances
Qui font peur aux nonnettes
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir le soir qui chemine
Lentement vers la plaine
Et là, debout encore
J'insulterai les bourgeois
Sans crainte et sans remords
Une dernière fois
Après mon dernier repas {x2}
Je veux que l'on s'en aille
Qu'on finisse ripaille
Ailleurs que sous mon toit
Après mon dernier repas
Je veux que l'on m'installe
Assis seul comme un roi
Accueillant ses vestales
Dans ma pipe, je brûlerai
Mes souvenirs d'enfance
Mes rêves inachevés
Mes restes d'espérance
Et je ne garderai
Pour habiller mon âme
Que l'idée d'un rosier
Et qu'un prénom de femme
Puis je regarderai
Le haut de ma colline
Qui danse, qui se devine
Qui finit par sombrer
Et dans l'odeur des fleurs
Qui bientôt s'éteindra
Je sais que j'aurai peur
Une dernière fois.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Brel
18/08/2008
rio? do meu sangue?
dizem - é o teu sangue. - não é. posto que o dei à terra
vindo de tantas feridas
que não as sei contar ____ nem por palavras
sei ____ vagamente ____ que uma dessas feridas me matou
quis ser fatal ____ quis ser ____ quis!
para viver precisou de matar
sei ____ vagamente
o sangue dei-o todo ____ ou quase
como pode ser meu?
vá. corre sangue. como de antes. nos canais de mim
fecharei as veias ____ quero fechar as palavras ____ outras feridas
corre para que possam dizer ___ já em verdade
que fui.
importa se ainda sou?
07/07/2008
7 horas am
de nós para connosco
adormeço. amorfa
apagada chama
de quem já não quer nem chama ninguém
nem por cão. por gato. ou nome de mãe.
amorfa
esperando nada. além do sono
tão parecido à morte
tão ensaio dela. chega a saber bem...
estranho. estranho jogo!
acordo de um sonho a rir. alto som
qual morte. qual fim?
que sabor a água corrente. na cara. teve aquele sonho
pela segunda noite. do segundo dia. antes de te ver
a morte vem quando?
quero lá saber?! há-de vir por certo
quando eu não tiver vontade de rir.
ainda assim. creio. vai ser dura a luta
com um inconsciente
feito pura água. que ri. gargalhando
saltando nas pedras. tão criança à solta .
a cara sisuda não resiste ao espelho
com os olhos a rir. saio para a rua
uma hora mais cedo. bem pela manhã.
24/06/2008
por dentro dos rios. a alma
bendita hora.
22/06/2008
sangrar ou sons de par.tir
coisas de mulher













