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30/07/2010

Na hora em que partiste, António Feio

ocorre-me citar:

"A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade." - Dostoievski

Tu António, seguramente conheceste a Verdade.




Também soubeste o significado desta canção. Até a máquina não permitir mais!

Obrigada António Feio por teres cumprido a vida que te coube.

Até breve.

Madalena


05/07/2010

o amor dói

Fate_by_andyshade

parecia destinada a ficar ali
num espaço sem verde na cor, sem luz e sem nada
o amor dói , love hurts, recordava
mas onde estava o amor que gerara e repartira?

aquele amor de paz que resulta
de quando uma mulher e um homem se dão.

perdera-o na neblina de insondáveis desígnios
impensáveis sentires de destruir

fosse como fosse o amor não estava já no horizonte
havia um deserto negro a atravessar

vieram as horas de cerrar os dentes
todas feitas raiva sem dó e sem som
veio ainda a dor que não é de amar
a dor do vazio, do nada, do espaço baço
do frio. do corte
de aço
da morte a um traço
a faltar
nada mais que
o passo
e a querê-lo
dar!

veio depois o puro sadio cansaço
a fazer parar

descansou o braço estendido e à espera
descansou os olhos do seu perscrutar
descansou a mente. mas não a memória a abarrotar

a seguir ergueu-se. apoio de parede
conseguiu-se erecta. coisa celular
já nada esperava
e já pouco queria
e passo após passo
liberta do laço
que ali a prendia
voltou a andar


o amor? o amor dói
mas é lá, à frente, que a dor vai passar.


MP

25/04/2009

Renovação

a Madonna of the carnation at Wikipedia


ensina o cravo aos teus filhos

como quem conta um segredo

como quem lhes dá o leite


como quem lhes sara o medo

de ser de rir de viver!


ensina o cravo aos teus filhos

faz Portugal renascer



desta sombra deste baço

desta memória cansada

de uma Vitória que foi

grande livre e encarnada

toda cor e felicidade

toda Paz e Alegria

Fé no Futuro

e vergonha de um passado a não esquecer

para que não se repita

não vá Portugal morrer.

25/03/2009

o medo e a promessa

photo by gabriella paulina on flickr


na noite. na minha. noite lua nova. rodopio medos. emoções esquecidas no tempo de escola

sou eu? eu quem teme. quem treme de um frio que nem mesmo há? sou eu esta agora. a mesma. a de ontem?

que foi que me fiz? onde está força de desfazer muros? com o gesto exacto. verso vendaval?

ah! serão as dores... terá de ser isso. não medo da morte. essa é minha amiga e sabe que a espero

de braços estendidos. de sorriso aberto. sem mãos a tremer.

sim. as dores que tolhem e trazem o medo de que tu não saibas. de que tu não creias.

espera um pouco mais. todas as dores passam e eu corro para ti

corro para cumprir o que sem falar. olhos nos teus olhos. sei que prometi e esperas de mim

12/02/2009

"Bicho, meu lindo Bicho!" Não parece que foi ontem. Foi Hoje.

pink pansy
foto de madalena pestana dedicada a Nuno Bragança

"À descoberta de Nuno Bragança

Nem livro nem página em branco: a vida e a obra do escritor Nuno Bragança, nascido há 80 anos, continuam, ainda, demasiado desconhecidas.
(...) Nuno Bragança era um e vários, memória pessoana (...)" por Sílvia Souto Cunha em Visão - Cultura, Figura. (12 de Fev. de 2oo9 - pág 100)

A este texto, dos melhores que li, pelo que conheço do autor, e mais se aproximou (por não tentar parecer saber o que , de facto, não sabe) e, com o apoio do filho, Manuel Luís de Bragança, "o mais velho dos cinco filhos do autor", urge só uma pequena adenda: o nome dos outros filhos ou "os nossos putos" como ele, Nuno, preferia chamar-lhes: Maria de Bragança, Teresa de Bragança, Marco de Bragança, Leonor de Bragança (os dois últimos, filhos dele e da sua segunda mulher).

___*___

assim, meu Bicho, a lista está completa e, se a noite perdura, ainda ouço a tua gargalhada estridente no ar. o teu Riso. como agora. sempre que sabes porque digo o que digo.



PS. "Isto anda tudo ligado" - tu, citando Tolstoi.

e... ter nascido no dia de Darwin, Homem?

até já.

Magda

05/01/2009

senhor "Deus dos Exércitos"

image at mjbryan.com


filhos de Abraão _ Isaque e Ismael


"Pesquisadores fizeram um estudo de DNA e comprovaram que judeus e árabes são parentes próximos, como diz a Bíblia. A descoberta significa que todos são originários de uma mesma comunidade ancestral, que viveu no Oriente Médio há 4.000 anos. Isso significa que a genética comprovou o parentesco bem próximo, maior que o existente entre judeus e a maioria das outras populações.


Segundo eles, quatro milênios representam apenas 200 gerações. Esse tempo seria muito curto para mudanças genéticas significativas. Os cientistas envolvidos no estudo também perceberam que, apesar da longa diáspora, as populações judaicas mantiveram intacta a identidade biológica. Eles afirmam que o resultado não apenas está de acordo com a tradição bíblica, como refutam a tese de que as comunidades judaicas atuais consistem principalmente de descendentes de convertidos de outras crenças."


Pois. Há lá pior que guerras fraticidas?


Há. Há simplesmente a Guerra - uma intenção eterna do homem. sobre a Terra.


03/12/2008

coisas do Frio

by vricci63 on flickr


a linha recta a apontar infinitos - a distância

esfriou-me o sentir. os afectos congelaram. semelhança de morte

tudo se assemelha quando o inverno vem. as cores. os aromas

as gentes. os gestos. as vestes. as casas vazias ou pejadas

quase sempre geladas. em verdade. de verdades quentes


tu. que me não faltavas. congelaste a distância

do sonho congelado por ti as cataratas líquidas. salgadas


que deveriam correr directamente dos meus olhos para o mar

congelaram


brancas e inúteis porque não servirão a qualquer

primavera por chegar




24/11/2008

estação



vesti-me a rigor para a entrada mágica

do Outono

queria a languidez da morte. prevista ansiada

que todos os anos antecede o gosto

de se renascer

vesti-me a rigor com as cores quentes

feitas de folhas quase a decompor

de frutos deixados no lugar de flores



depois flutuei na beira do rio

folha-eu caída de dentro de mim

sem temores de morte. é isso o outono. a renovação


a chuva não veio. o rio não encheu

serão as estações que estão a mudar?

ou nesta estação que tanto anseei. para a qual me vesti de folhas e frutos

termino eu?





images by Al Magnus

05/11/2008

até Já.


“Pretends to Be Free” by Caroline Torres


do processo de estatificação

by Blancoperfecto

era tão óbvio que o tempo viria.

o tempo de ser estátua que ninguém quer no meio da praça mas alguém lá colocou em dia menos inspirado.

sentia-se nos gestos. na ausência de ouvir. no facto de ignorar. afinal quem fala com uma estátua a não ser um doido ou um bêbado à noite?

sentia-se. eu sentia. só me faltava a hora. mas ela vem aí, com uma espécie de aviso prévio.

(primeiro quase ceguei. depois parti um dedo - corrijo, parti um dedo porque quase ceguei e não consegui tratá-lo a tempo de não ter de o operar para o curar - . não o curei. dói. me. com o frio que veio de repente. isto é humano. isto é viver de gente. )

mas. uma estátua de dedo partido é ainda mais inestética no meio das plantas novas do jardim..

primeiro há que arranjar lugar para a arrumar. depois... bem depois de encontrada a prateleira aonde não se veja, para que não se sinta nem se oiça (mas ouvir uma estátua? lá está a minha cabeça a fugir para a loucura. Deus me ajude!). há que referir o dedo deformado e a ausência no jardim de uma imprescindível redecoração. afinal é tão necessária uma estátua novinha em folha para substituir aquela!

e assim segue o caminho, um pouco mais lento, de saber como se atira para a reciclagem uma estátua.

convém que não pareça lixo, ainda que o seja. convém um bom pretexto, não que seja preciso, mas parece bem... quem sabe serve o nome maldito ou não de quem lhe deu para a esculpir?

há sempre uma maneira. que neste mundo admirável, sempre bastou querer para conseguir.

quando eu contar o fim verão se a previsão era falta de senso ou... senso a mais e atempado.

em todas as coisas é só ler os sinais e a mudança deles e ... qualquer um é adivinho.

podem acreditar.

02/11/2008

pausa breve na Pausa

imagem at mg.scoop.co.nz



para mim o Amor morreu há muitos anos já. ainda falo dele como se o vivesse

ou fui eu que morri e me recuso. por teimosia. a acreditar na morte (minha para o Amor)?


22/10/2008

estas minhas premunições

levam-me a minutos de silêncio antes da Hora...

foto de madalena pestana

Os Anjos dos modelos voluntários acompanham agora o Jaime na última e desconhecida caminhada.

Obrigada Jaime. :)



10/10/2008

Intervalo.


Le dernier repas
by Jacques Brel


A mon dernier repas
Je veux voir mes frères
Et mes chiens et mes chats
Et le bord de la mer
A mon dernier repas
Je veux voir mes voisins
Et puis quelques Chinois
En guise de cousins
Et je veux qu'on y boive
En plus du vin de messe
De ce vin si joli
Qu'on buvait en Arbois
Je veux qu'on y dévore
Après quelques soutanes
Une poule faisane
Venue du Périgord
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir les arbres dormir
En refermant leurs bras
Et puis, je veux encore
Lancer des pierres au ciel
En criant : "Dieu est mort !"
Une dernière fois

A mon dernier repas
Je veux voir mon âne
Mes poules et mes oies
Mes vaches et mes femmes
A mon dernier repas
Je veux voir ces drôlesses
Dont je fus maître et roi
Ou qui furent mes maîtresses
Quand j'aurai dans la panse
De quoi noyer la Terre
Je briserai mon verre
Pour faire le silence
Et chanterai à tue-tête
A la mort qui s'avance
Les paillardes romances
Qui font peur aux nonnettes
Puis je veux qu'on m'emmène
En haut de ma colline
Voir le soir qui chemine
Lentement vers la plaine
Et là, debout encore
J'insulterai les bourgeois
Sans crainte et sans remords
Une dernière fois

Après mon dernier repas {x2}
Je veux que l'on s'en aille
Qu'on finisse ripaille
Ailleurs que sous mon toit
Après mon dernier repas
Je veux que l'on m'installe
Assis seul comme un roi
Accueillant ses vestales
Dans ma pipe, je brûlerai
Mes souvenirs d'enfance
Mes rêves inachevés
Mes restes d'espérance
Et je ne garderai
Pour habiller mon âme
Que l'idée d'un rosier
Et qu'un prénom de femme
Puis je regarderai
Le haut de ma colline
Qui danse, qui se devine
Qui finit par sombrer
Et dans l'odeur des fleurs
Qui bientôt s'éteindra
Je sais que j'aurai peur
Une dernière fois.



http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Brel

18/08/2008

rio? do meu sangue?

blood waves by Garry Glenn


fiz surgir vida ou morte? ____ nos caminhos

chagas minhas derramaram ____ sangue ____ que coaguala ou corre


como vida que foi


dizem - é o teu sangue. - não é. posto que o dei à terra

vindo de tantas feridas


que não as sei contar ____ nem por palavras



sei ____ vagamente ____ que uma dessas feridas me matou


quis ser fatal ____ quis ser ____ quis!


para viver precisou de matar



sei ____ vagamente



o sangue dei-o todo ____ ou quase


como pode ser meu?


vá. corre sangue. como de antes. nos canais de mim


fecharei as veias ____ quero fechar as palavras ____ outras feridas


corre para que possam dizer ___ já em verdade


que fui.



importa se ainda sou?

07/07/2008

7 horas am

at PortugalGuiden


estranho o psiquismo

estranho. estranho o jogo

que jogamos

de nós para connosco



adormeço. amorfa

apagada chama

de quem já não quer nem chama ninguém

nem por cão. por gato. ou nome de mãe.


amorfa

esperando nada. além do sono

tão parecido à morte

tão ensaio dela. chega a saber bem...




estranho. estranho jogo!

acordo de um sonho a rir. alto som

qual morte. qual fim?


que sabor a água corrente. na cara. teve aquele sonho


pela segunda noite. do segundo dia. antes de te ver



a morte vem quando?


quero lá saber?! há-de vir por certo


quando eu não tiver vontade de rir.



ainda assim. creio. vai ser dura a luta

com um inconsciente

feito pura água. que ri. gargalhando

saltando nas pedras. tão criança à solta .




a cara sisuda não resiste ao espelho


com os olhos a rir. saio para a rua



uma hora mais cedo. bem pela manhã.


24/06/2008

por dentro dos rios. a alma

image by jensenl


hoje os meus rios. os meus. não os da Terra. outra mãe.

incendiaram e ensobraram o mar


nem o por do sol lhe dava aquela cor que vi antes de virar costas

e subir. alma acima. até ao impossível de mim


hoje todos os meus escritos se apagaram. pelo fogo

e correram nas águas. feitos pó. como eu quero correr


ao chegarem ao mar. ardiam. da minha alma em chama

foi o início da morte sem um rasto. sem um resto. sem um gesto


sem deixar nada que possa fazer com que me matem

com que voltem a matar-me. uma e outra vez.


bendita hora.

e só o mar a sabe. ele. os deuses. e eu.


mas eu?

aonde estou?

importa? - claro que não. desci ao mar. por dentro dos meus rios.

22/06/2008

sangrar ou sons de par.tir

image by Robert & Shana Parkeharrison

enxertar
sangrar palavras

ou vidas?

na paisagem fria
há gentes. vazias


nascidas do rictual
de reproduzir

a árvore era una

agora é ramo
morto. hemorragia

coisas de mulher

ou árvore ferida


by dr3wie


seguem os caminhos
que há por sobre a água.

o sangue na terra

árvore repartida

partida

três sons


ár vo re