
a chuva chega a aliviar o caudal seco do rio dos meus nervos
há uma solidão de pedra nas gentes em volta. o cinzento traz isso
a quem ama a cidade e o cimento-cerco onde me perco como num deserto
respiro lento. bebo a humidade como as árvores empoeiradas de obras
gordurosas de óleos sufocadas de gases poluentes. respiro.
- lembro-te
pouco nos importava que chovesse e desabasse o mundo sobre nós
tanto se nos dava que fosse o sol escaldante nos areais sem norte
criávamos oásis ou abrigos com a imaginação
dadas que estivessem as mãos nada nos impedia de seguir rastos de água
- lembro-te
meu rio de sangue-vida. meu bordão de viagem. meu senhor e meu pajem
lembro-te e volto ao nosso rio sem rumo ou sequer margem
entro nele e mergulho sem saber quanto futuro ainda há por vir
só sei que estarás comigo até ao fim mais do que eu pude estar
morrerei a sentir e a amar. farás comigo a última viagem
- lembro-nos e sorrio
no corredor alguém diz em voz alta que faz frio – eu não o sinto...
viverei ainda no mesmo planeta ou persigo-te já na cauda de um cometa?
21 comentários:
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lembro-te . . .
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xi
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Lembranças de um rio sem rumo e sem margens é o que eu levarei quando fizer a minha viagem na cauda de um cometa...
Madalena, que mensagens inspiradoras...
Sem frio. Poalha dourada, apanhada com as mãos. Aquece. Persegue. Beijos
sory, sem concentração para ler tanto.
desculpa a ausência,mana, mas é assim em todo o lado
beijos
Até tenho dificuldade em comentar este texto, tal foi a quantidade de sensações que me despertou, excelente. E tudo começou com a chuva... Beijos.
Muito obrigada. Vocês estragam-me com mimos. Lol.
Bjs a todos. :)
Querida Madalena
___________adorei a "chuva no deserto":)
________a chuva cai neste momento__________violentamente:)))
BeijO carinhosO
A chuva -água ou antes a chuva-ser?
Beijo
Paper
vou lendo tua chuva no deserto enquanto outra chuva desaba nessa madrugada. ambas inquietam as lembranças.
bom lembrar.
a imagem é muito bonita.
bjhos
della
E ao contrario dos oásis imaginários, está delicioso e concluído com um final de mão cheia.
depois da vénia que se impõe
retiro.me
_________________
deixo.te
um beijo ,quemadre!
sabe bem
sabes bem
beijo grande
CC
que chova sobreTudo
que chova mesmo quando
mesmo se
...
beijO
ÇOK GÜZEL BİR SİTE.
bem aja pelas visitas via interplaneta do Atelier. gosto do som da agua.
Neste atelier trabalham 2 pessoas (pelo menos por agora) com caminhos diferentes entre eles , cada um inteiro por ele próprio, o que é interessante aqui é a troca de ideias, por isso pelo meio da Internet, abri-mos uma vista para o exterior, assim podemos alargar ainda mais o diálogo, a comutação de fantasiar sobre a arte num simples atelier.
Kim Prisu
Entro aqui com prazer, leio com sofreguidão palavras e sentimentos, retiro-me feliz por mais um momento de alta poesia, mas não consigo comentar porque se incendeia o pensamento.
Mas voltarei de novo e sempre.
Beijos
Madalena que doce o teu escrever
a chuva caiu e não molhou, foi encantar o rio, fazê-lo sorrir
passar por aqui é um privilégio porque é sentir a beleza da tua escrita
um abraço terno e eu estou
beijinhos para ti
lena
texto maravilhoso, intenso e denso, conjugado com uma foto muito ilustrativa...
Obrigada meus amigos. Fico contente de os ver por aqui. Vamos ver se me volta a vontade de escrever.Nesta época não estou nunca inspirada.
Bjs a todos e boa semana.
é tão pleno de tudo este texto que me sinto quase-nada para receber as suas sensações.
Lindo!
Carla
Quase-nada, Carla? Quase-nada é viver em águas estagnadas e só o serão se nós deixarmos.
Já António Machado dizia: "Caminhante não há caminho/ faz-se o caminho ao andar"
Volte sempre e Obrigada.
Bjs
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