27/10/2007

filho, eis o teu pai.

image by Eric Boutillier Brown


vi-te enfrentar mares enfurecidos
como se a vida tivesse começado ali

querias um filho como quem quer o céu

e por ele deixaste o vício-morte
e por ele me amaste a cada canto
a cada hora fértil. como os animais
que são sábios a preservar a espécie

vi-te vê-lo chegar como rei orgulhoso
que pode dar ao povo o sucessor
como se fosse o teu filho primeiro

se pudesses tê-lo-ias parido
(isso se os homens suportassem a dor)

escrevo isto a rir como naquele instante
em que o ouvi chorar com um alívio enorme
ah como a dor já me estava distante !

homem do mar, por ele foste forte.
e eu voltei a ser o que nasci para ser
apenas mãe
esse nome carregado de vida. até à morte.

8 comentários:

della-porther disse...

em nome do amor que une a mulher-vida ao homem-rei e ao homem do mar-forte.

um texto...uma viagem.assim o (re)li.

um bom fim de semana

bjs
della

un dress disse...

tamb�m fiz uma viagem at� � mem�ria do meu pai, hoje!

curioso! h� ecos...assim...





muito belo o teu blog!

paper-life disse...

Muito obrigada della e un dress. :) bom domingo.

gabriela r martins disse...

as memórias

únicas

descritas ( e revividas ) como só tu sabes fazê.lo ... mulher do mar.

um beijo ,quemadre!

paper-life disse...

Beijo,Quemadre. Estas sâo as memórias mais prezadas. :) Obrigada.

jotabloguer disse...

Olá: Fazer um filho não é tarefa simples...só para os "distraídos"! E nem se podem encomendar!
DEferiam ser sempre gerados na perspectiva do Amor...mas ás vezes!
Palavras sentidas!
Jorge madureira

paper-life disse...

Olá Jorge: :)

Este foi mais desejado e amado que o desejo e o amor de qualquer momento! Disso nunca se poderá queixar.

Não tive filhos sem Amor. Não sei como é. Obrigada.

poetaeusou . . . disse...

*
se tenho um amor ?
tenho,
o meu filho,
*
xi
*