08/10/2007

era uma vez um burro...


    image by Andreas Heumann


    era uma vez um burro que não queria ser burro. era uma vez muitos burros cansados de ser burros. era uma vez.

    o burro foi subindo devagar. devagar e a coice. subiu a um montículo de terra e chamou-lhe montanha. sinal de que já comandava o mundo à sua volta. o burro tinha o poder de nomear.

    os burros mais chegados não cabiam todos no outeiro pequeno. ficaram em volta a bater com os cascos. aplaudiam. é assim que se aplaude no reino dos burros - pateando.

    o burro primeiro, a chegar ao topo, mandou-os aprender a levantar as patas de cima e a aplaudir com os cascos da frente. aprenderam. o burro tinha o poder de se fazer obedecer.



    image by SilvesterCat

    alguns burros mais antigos corriam o risco de ser presos em manjedouras comuns a vários. o burro devia-lhes favores. tinham-no ajudado a subir. tinham-no empurrado até ali acima. até ao verbo poder. o burro ditou (não sabia escrever) uma lei que aliviasse as penas.

    depois, olhou à volta para os pobres burros-pobres e pensou: "se continuam confortáveis não me distingo deles a não ser pela marca da roupa e olha lá...". foi então que decidiu tratar-lhes da saúde, da educação e atirar-lhes para o lombo uma carga de impostos. burro é animal de carga, afinal. o burro ditava leis.

    o burro dita leis.

    o burro subiu a um montículo e por isso tem o poder de governar.

    era uma vez um burro...

    (ainda bem que o miúdo adormeceu. esta história ainda vai a meio de terminar...)

    6 comentários:

    poetaeusou . . . disse...

    *
    e os burros, ditam . . .
    *
    bji
    *

    della-porther disse...

    Estamos cercado dessa "espécie" de "burro governante"...

    Alguns - não pertencem a espécie-, não tem a venda aos olhos...vêem.Ainda bem.

    Um texto bem oportuno.

    beijos

    della-porther

    bettips disse...

    Dio Mio que saudades!!!!!!!!!!!!!!!
    Bastava-me ter ido atrás da figurinha que já tinha encontrado por aí..ah mas as ligações são tantas, tantas e algumas as gentes que gosto - tantas que se perdem...
    E quantas ficariam sem que eu nunca as esquecesse... Apetecia-me juntar um ramo, fazer uma grinalda e uma a uma, as minhas pessoas, pela arte, pela poesia, pelo abandono, pela inteligência, pela palavra-rio-jacto-fio-água, pela delicadeza.
    Se calhar, só pela imaginação eu junto pontas. Um beijo, feliz de te ver!

    Lumife disse...

    Sempre com a pontaria certeira...

    Precisava de te ler. Agora estou melhor.

    Beijos

    Fernanda e Poemas disse...

    Olá belo texto, Bom de ler, nâo cansa.
    Beijinhos!
    Fernandinha

    Madalena Pestana disse...

    Olá meus amigos, obrigada. Vamos lá levando isto meio a rir para não chorarmos de raiva, né? Afinal se até lá não acabar o regime democrático vão haver eleições mais ano menos ano. :)

    Fernadinha, ainda bem que não cansou é que eu esqueci de por aqui uma cadeirinha lol

    Bjs a todos
    (um especial, Bettips.)